Organizações brasileiras sofreram, em média, 4.001 ataques cibernéticos por semana em junho de 2026, representando um aumento de 44% em relação ao mesmo período do ano anterior. O levantamento da Check Point Research (CPR) aponta que o avanço das ameaças é impulsionado pelo uso crescente de Inteligência Artificial (IA) por grupos criminosos, que automatizam invasões, criam campanhas de phishing mais convincentes e exploram vulnerabilidades em escala massiva.
A automação das ofensivas digitais
Segundo a CPR, ferramentas que antes estavam restritas a especialistas passaram a ser acessíveis a criminosos menos experientes. Isso resultou na criação de códigos maliciosos mais sofisticados e na exploração de vulnerabilidades em maior volume. O cenário exige que as organizações adotem tecnologias capazes de antecipar riscos, migrando de um modelo reativo para uma abordagem preditiva.
Marcos Santos, CEO da Aquarela Analytics, destaca que o crescimento dos ataques está diretamente ligado à automação das ofensivas, roubo de credenciais e ações contra infraestrutura crítica. Nesse contexto, a dependência de provedores globais de IA apresenta riscos estratégicos, pois muitos desses serviços bloqueiam análises defensivas em seus guardrails, inferindo erroneamente que a informação possa ser usada para ataque.
IA soberana como diferencial estratégico
A solução apontada pelos especialistas é a adoção de modelos de IA desenvolvidos no país, conhecidos como IA soberana. Esses modelos permitem que empresas e governos mantenham o controle total sobre os dados e algoritmos, preservando a propriedade intelectual e garantindo autonomia na resposta a incidentes.
"Quando empresas e governos utilizam modelos sob seu próprio controle, ganham autonomia e previsibilidade para proteger operações críticas, reduzem riscos associados à dependência tecnológica externa e aumentam sua capacidade de resposta diante de ameaças cada vez mais sofisticadas", explica Marcos Santos. A IA soberana possibilita simular cenários de risco e identificar vulnerabilidades antes que sejam exploradas, transformando grandes volumes de dados em inteligência defensiva.
Implicações para a governança de segurança
Para CISOs e líderes de segurança, a tendência indica a necessidade de diversificar o portfólio de ferramentas de segurança. A dependência exclusiva de soluções baseadas em nuvem de terceiros pode criar pontos cegos na defesa, especialmente quando esses provedores limitam o acesso a dados sensíveis para fins de treinamento de modelos ou análise forense.
A implementação de IA soberana requer investimento em infraestrutura local e capacitação de equipes para gerenciar modelos proprietários. No entanto, o retorno em termos de segurança e conformidade regulatória tende a superar os custos iniciais, especialmente em setores críticos como energia, saúde e finanças.
Recomendações para executivos
Organizações devem avaliar a viabilidade de adotar modelos de IA locais ou híbridos para funções críticas de detecção e resposta. É fundamental estabelecer políticas claras de uso de IA que garantam a soberania dos dados e a transparência nos processos decisórios automatizados.
Perguntas frequentes
Por que a IA soberana é mais segura? Porque mantém o controle dos dados e algoritmos dentro da organização, evitando bloqueios de guardrails e garantindo resposta imediata a ameaças.
Qual o impacto da automação nos ataques? Criminosos usam IA para automatizar varreduras, phishing e desenvolvimento de malware, aumentando a frequência e sofisticação dos ataques.
Como começar a adotar IA soberana? Avalie fornecedores nacionais de IA, invista em infraestrutura local e estabeleça políticas de governança para uso de modelos internos.