Um relatório recente da Sophos, o State of Ransomware in Education 2026, revela um cenário alarmante para o setor educacional. Ataques que exploram falhas de identidade estão por trás de 85% dos incidentes de ransomware registrados em instituições de ensino, índice que supera a média de 79% observada considerando todos os setores. O dado reforça o papel do comprometimento de credenciais como uma das principais portas de entrada para ataques contra escolas e universidades, exigindo uma reavaliação imediata das estratégias de defesa de identidade.
Relatório da Sophos revela cenário crítico
O levantamento, realizado entre janeiro e março de 2026 com 226 líderes de TI e cibersegurança de organizações do setor educacional em 17 países, destaca a vulnerabilidade estrutural do setor. Todas as organizações participantes haviam sido afetadas por ransomware no último ano. Este é o sexto ano consecutivo em que a Sophos acompanha a evolução dos ataques no setor, e os números indicam uma tendência de agravamento, especialmente no que tange à exploração de identidades.
Vetores de ataque e vetores de entrada
Entre os vetores de ataque, os e-mails maliciosos aparecem na liderança tanto na educação básica, com 31% dos casos, quanto no ensino superior, com 29%. O comprometimento de credenciais permite que os criminosos contornem controles de perímetro e acessem sistemas críticos diretamente. O levantamento mostra ainda que 77% das organizações de ensino superior e 71% das instituições de educação básica consideraram o ransomware o ataque relacionado à identidade mais significativo sofrido no período.
Impacto financeiro e operacional
O impacto financeiro permanece elevado, com o custo médio de recuperação de um ataque de ransomware chegando a US$ 2,26 milhões no setor de educação, acima dos US$ 1,7 milhão registrados na média de todos os setores. Já o valor mediano dos resgates exigidos foi de US$ 775.200, ante US$ 698 mil na média geral. Apesar da redução dos valores de resgate exigidos ao longo dos últimos dois anos, os ataques continuam produzindo impactos significativos.
Recuperação e resiliência do setor
A exploração de identidades ocorre em um cenário de recuperação mais lenta para o setor. Segundo a Sophos, 26% das instituições de ensino levaram de um a três meses para recuperar completamente suas operações após um ataque, quase o dobro da média de 14% registrada entre organizações de outros setores. Na educação básica, 31% das instituições precisaram de um mês ou mais para retomar plenamente as atividades, a maior proporção entre os segmentos analisados.
Os backups continuam sendo o principal mecanismo utilizado para recuperar informações comprometidas. Eles foram empregados por 77% das instituições de educação básica e por 69% das organizações de ensino superior que conseguiram restaurar dados criptografados. A média do conjunto de setores foi de 66%. Na educação básica, a proporção de organizações que tiveram dados criptografados mais que dobrou em um ano, passando de 29% em 2025 para 61% em 2026.
Consequências humanas e organizacionais
Além das perdas financeiras e da interrupção das atividades, os ataques também aumentam a pressão sobre as equipes de tecnologia e segurança. Mais da metade, ou 53%, dos profissionais de ensino superior afirmou ter enfrentado maior pressão da alta liderança após um incidente, contra 40% na média dos setores. O levantamento aponta ainda que 39% das organizações de ensino registraram afastamentos de funcionários relacionados a estresse ou problemas de saúde mental após ataques de ransomware, ante 29% no conjunto da economia.
A troca de lideranças também foi mais frequente no setor. Após um ataque, 29% das instituições de ensino superior e 27% das organizações de educação básica tiveram seus líderes substituídos, contra uma média de 21% entre todos os setores.
O que os CISOs devem priorizar
Para Ross McKerchar, diretor de segurança da informação da Sophos, o volume de dados pessoais armazenados e as limitações de recursos tornam as instituições de ensino alvos atrativos para os criminosos. Segundo o executivo, o comprometimento de identidades se consolidou como uma das principais formas de acesso às organizações, enquanto a inteligência artificial amplia a velocidade e a escala dos ataques.
Diante desse cenário, os CISOs do setor educacional devem priorizar a implementação de autenticação multifator (MFA) em todos os pontos de acesso, a adoção de princípios de menor privilégio e a monitorização contínua de atividades anômalas. A educação sobre phishing e a simulação de ataques de engenharia social devem ser intensificadas para reduzir a superfície de ataque humana.