Contexto do mercado brasileiro
As empresas brasileiras alcançaram um novo patamar de maturidade em segurança da informação, mas seguem enfrentando desafios persistentes. Entre 2021 e 2026, a parcela de organizações com mais de cinco anos de investimentos contínuos na área saltou de 14% para 67%, enquanto os ataques de phishing mais que dobraram no período, passando de 28% para 58% das companhias.
Além disso, 96% das empresas brasileiras atualmente investem em segurança da informação, ante 72% registrados em 2021. Os dados fazem parte do Brazilian CyberSecurity Index, primeiro relatório que conta com uma série histórica sobre o mercado brasileiro de cibersegurança, realizado pela BugHunt.
Evolução do perfil de ameaças
O levantamento revela uma mudança importante no perfil das ameaças enfrentadas pelas organizações ao longo dos últimos cinco anos. O phishing foi o único vetor de ataque a manter crescimento consistente durante toda a série histórica. Ao mesmo tempo, o cenário de riscos tornou-se mais complexo, com avanço de ameaças ligadas à identidade e à exposição de ambientes digitais.
Falhas de autenticação atingiram 31% das companhias, seguidas por exploração de vulnerabilidades (23%) e indisponibilidade de sistemas (19%). Em sentido oposto, vetores que chegaram a liderar as ocorrências em anos anteriores perderam relevância relativa. O malware recuou para 15% em 2026, e o ransomware caiu de 25% em 2022 para 12% na edição mais recente.
Orçamento e prioridades de investimento
Outro dado que chama atenção é a desaceleração prevista para os investimentos em segurança nos próximos anos. De acordo com o estudo, 39% das empresas não pretendem ampliar seus orçamentos de segurança em 2026. Outras 37% estimam aumentos de até 10%, percentual próximo da inflação. Apenas 24% planejam crescimento real dos recursos destinados à área.
Nesse cenário, a principal prioridade das organizações passa a ser a melhoria contínua dos processos de segurança. O tema foi apontado por 61% dos entrevistados como foco principal para os próximos anos, à frente de iniciativas de prevenção, recuperação e continuidade operacional.
Inteligência artificial e Bug Bounty
Em busca de maior eficiência operacional diante de orçamentos mais restritos, as empresas apontam a inteligência artificial como a principal aposta tecnológica para o futuro. A tecnologia foi citada por 63% dos entrevistados como prioridade de adoção nos próximos dois anos.
A evolução da maturidade do mercado também se reflete na adoção de modelos de validação contínua. Atualmente, 48% já utilizam ou pretendem implementar programas de Bug Bounty nos próximos dois anos. O indicador que melhor traduz essa evolução é o de promotores da prática, com 56% das organizações que conhecem o modelo se declararem promotoras.
Recomendações para executivos
Para lidar com o cenário de orçamentos estáveis e ameaças em evolução, os CISOs devem focar em eficiência operacional e integração entre áreas. A validação contínua ganha relevância, assim como a adoção de arquiteturas Zero Trust e segurança em ambientes de nuvem.
- Foco em Processos: Priorize a melhoria contínua dos processos de segurança sobre a adição de novas ferramentas.
- Adoção de IA: Utilize IA para aumentar a capacidade operacional das equipes sem expandir estruturas.
- Validação Contínua: Expanda programas de Bug Bounty para identificar riscos proativamente.
- Gestão de Identidade: Fortaleça controles de autenticação para mitigar falhas de identidade.
Implicações regulatórias e LGPD
Com o aumento da maturidade, espera-se maior conformidade com a LGPD e normas setoriais. A exposição de ambientes digitais e falhas de autenticação exigem governança de dados mais robusta para evitar sanções e vazamentos.
Perguntas frequentes
O que mudou no perfil de ameaças? Phishing e identidade subiram; malware e ransomware caíram.
Qual a prioridade de investimento? Melhoria contínua de processos e adoção de IA.
Como o Bug Bounty evoluiu? De 24% de interesse em 2021 para 48% de uso/implementação em 2026.