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Campanha FortiBleed compromete mais de 430 mil firewalls FortiGate globalmente

Campanha FortiBleed compromete 430 mil firewalls FortiGate, extraindo 110 milhões de credenciais. Ferramenta FortigateSniffer usa comandos nativos para interceptar tráfego de autenticação.

Uma operação de cibercrime de grande escala, batizada de FortiBleed, está comprometendo mais de 430.000 firewalls FortiGate em todo o mundo, resultando na exfiltração silenciosa de mais de 110 milhões de credenciais desde fevereiro de 2026. A campanha, investigada pela unidade de pesquisa de ameaças da SOCRadar (STRU), representa uma das operações de coleta de credenciais mais extensas já documentadas contra dispositivos de perímetro de rede.

Descoberta e escopo da campanha

O ator de ameaça, avaliado como um Corredor de Acesso Inicial (IAB) motivado por ganhos financeiros, operou continuamente até meados de junho de 2026. A infraestrutura do ataque permanece parcialmente ativa, com 659 ciclos de colheita discretos registrados. Comentários no código-fonte com alfabeto cirílico sugerem uma possível origem russa, com ligações potenciais a grupos de ransomware ou atores patrocinados por estados.

A CISA emitiu um alerta urgente recomendando que as organizações protejam seus dispositivos Fortinet após os relatos de exposição em larga escala de credenciais. A campanha expôs 23.406 domínios únicos em 80.553 aparelhos FortiGate, com 66% das vítimas tendo menos de 200 funcionários, organizações grandes o suficiente para implantar firewalls corporativos, mas tipicamente sem operações de segurança dedicadas.

Como funciona a ferramenta FortigateSniffer

A arma central da operação é o FortigateSniffer (também rastreado como fg_sniffer), uma ferramenta baseada em Golang compilada para Linux e Windows. Diferente de malware tradicional, a ferramenta abusa do comando de diagnóstico nativo do FortiOS, diagnose sniffer packet, para interceptar passivamente todo o tráfego de autenticação que atravessa um firewall comprometido.

O tráfego é capturado em 24 protocolos, incluindo RADIUS, NTLM, Kerberos, LDAP, RDP, SMB, MSSQL, FTP, Telnet e WinRM. Uma vez capturado, o output bruto do terminal SSH é convertido em formato .pcapng pelo motor SNIFTRAN e processado por um toolkit de análise profunda de PCAP (v5.0) que extrai credenciais em texto claro, hashes NTLMv2, tickets Kerberos TGS/ASREP e cookies de sessão.

A ferramenta incorpora duas técnicas de evasão sofisticadas: filtragem baseada em GeoIP e agendamento de horário comercial, restringindo a captura ativa para o período das 07:00 às 18:00 (horário de Moscou) para minimizar alertas de anomalia durante horários fora do expediente.

Fases do ciclo de vida do ataque

A operação segue um ciclo de vida metódico de cinco fases, demonstrando um alto nível de planejamento e valorização econômica dos alvos:

  • Fase 1 — Reconhecimento e obtenção de credenciais: Os atacantes usaram Masscan para varreduras de portas amplas, Shodan_Recon para enriquecimento passivo via metadados de SSL/certificado e FortiProbe-fast para classificar alvos. Scripts personalizados ranquearam os alvos por receita corporativa antes de qualquer exploração.
  • Fase 2 — Pareamento e acesso inicial: Ferramentas geraram arquivos de combinação de credenciais host para ataques de força bruta SSH contra contas administrativas do FortiGate e forticheck para preenchimento de credenciais no portal SSLVPN.
  • Fase 3 — Implantação e colheita do Sniffer: Com credenciais SSH válidas, os atacantes injetaram o FortigateSniffer, transformando o dispositivo em um ouvinte passivo. 6.127 dispositivos foram carregados em implantações observadas, com uma taxa de validação SSH de 90%.
  • Fase 4 — Quebra e movimento lateral: Hashes coletados foram quebrados via cluster de GPU Hashtopolis gerenciado pelo atacante. Ferramentas de movimento lateral, como spray_da.py e spider.py, foram usadas para se mover em ambientes de Active Directory.
  • Fase 5 — Exfiltração: O script backup_dfs.py extraiu recursivamente compartilhamentos DFS completos via SMB e os transmitiu diretamente para servidores SSH do atacante sem staging local. Em 15 de junho de 2026, após a quebra offline de 172 hashes Kerberos RC4, o ator executou uma exfiltração direcionada contra um contratante de defesa alinhado à OTAN.

Impacto e alcance global

O setor de serviços de TI é o dominante entre as vítimas (8,4%), uma escolha deliberada para maximizar o acesso downstream em ambientes de clientes. A distribuição geográfica é liderada pela Índia (11,4%) e pelos Estados Unidos (10,1%), seguida por Taiwan, México e Turquia. A campanha continua ativa, com diretórios de resultados de colheita sendo atualizados regularmente.

Recomendações de mitigação e CISA

Diante da gravidade da ameaça, a CISA e a SOCRadar recomendam medidas imediatas para proteger a infraestrutura de rede:

  • Revogar e redefinir todas as credenciais administrativas de firewalls FortiGate expostos ou suspeitos de comprometimento.
  • Implementar autenticação multifator (MFA) para acesso administrativo SSH e SSLVPN.
  • Monitorar logs de diagnóstico e tráfego de rede para padrões de captura de pacotes incomuns.
  • Aplicar patches de segurança mais recentes para o FortiOS e revisar configurações de firewall para restringir acesso SSH a IPs de gerenciamento confiáveis.
  • Realizar varreduras de ativos para identificar dispositivos FortiGate expostos publicamente e garantir que não estejam acessíveis sem proteção adequada.

O que os CISOs devem fazer agora

Executivos de segurança devem priorizar a revisão de inventários de dispositivos de perímetro e validar a integridade das credenciais de acesso administrativo. A exfiltração de credenciais de nível de rede pode levar a movimentos laterais profundos dentro da rede corporativa, comprometendo dados sensíveis e sistemas críticos. A vigilância contínua e a resposta rápida são essenciais para conter os danos desta campanha de larga escala.


Baseado em publicação original de Cyber Security News
Publicado pela Redação Hack Alerta com base em fontes externas citadas e monitoramento editorial do Hack Alerta. Para decisões técnicas, operacionais ou jurídicas, confirme sempre os detalhes na fonte original.