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Campanha usa PNG 'polyglot' para entregar infostealer PURELOGS

Analistas da Swiss Post Cybersecurity documentaram uma campanha que usa PNGs "polyglot" hospedados em infraestrutura legítima (ex.: archive.org) para entregar o infostealer PURELOGS. O vetor começa com phishing e um JScript dropper que baixa uma imagem contendo um payload Base64 inserido após o IEND do PNG entre marcadores "BaseStart-" e "-BaseEnd". O código é decodificado e carregado diretamente em memória via .NET Reflection e executado por Pow

Analistas da Swiss Post Cybersecurity identificaram uma campanha que usa PNGs "polyglot" hospedados em infraestrutura legítima para distribuir o infostealer PURELOGS. A técnica combina phishing, um dropper em JScript e execução totalmente em memória para contornar controles tradicionais.

Descoberta e escopo

Segundo a análise publicada e replicada por Cyber Security News, a operação começa com e-mails de phishing que simulam faturas farmacêuticas e contêm um ficheiro ZIP malicioso. O primeiro estágio é um dropper em JScript que, quando executado pelo destinatário, baixa de um domínio confiável — exemplificado pelo uso de archive.org nas amostras analisadas — um ficheiro que aparenta ser apenas uma imagem PNG.

Vetor técnico: PNG como contêiner

A inovação central observada pelos analistas é que o ficheiro PNG funciona como um arquivo polyglot: ele contém dados de imagem válidos até o chunk IEND, mas, após esse ponto, os atacantes embutiram um payload codificado em Base64 entre marcadores literais "BaseStart-" e "-BaseEnd". Essa estrutura permite que a imagem seja renderizada normalmente por visualizadores, enquanto transporta um payload oculto aproveitável por código malicioso.

Execução e evasão

O dropper inicial decodifica o conteúdo entre os marcadores, faz Base64-decoding e carrega a assembly diretamente em memória usando .NET Reflection. O payload final é executado por um processo PowerShell que nunca grava o binário no disco — a execução é inteiramente em memória. Conforme observado pelos pesquisadores, isso torna ineficazes mecanismos baseados em assinaturas de ficheiros e detecção por hash dependente de artefactos em disco.

Motivação e acessibilidade do malware

PURELOGS é oferecido como Malware‑as‑a‑Service (MaaS) em fóruns underground. A cobertura aponta que assinaturas começam em cerca de US$150 por mês, o que reduz a barreira de entrada para operadores com menor sofisticação técnica. Essa economia de escala significa que tanto grupos organizados quanto operadores menos experientes podem empregar a mesma infraestrutura de ataque.

Evidências, limites e o que falta

Os detalhes técnicos citados — uso de archive.org como repositório de imagens, marcadores "BaseStart-" / "-BaseEnd", carregamento em memória via .NET Reflection e execução por Invoke-Expression no PowerShell — foram documentados pela Swiss Post Cybersecurity. O relatório público analisado pela redação não quantifica o número de organizações afetadas nem identifica alvos específicos, e não há, até onde a análise publicada registra, indicadores de comprometimento (IoCs) amplamente verificados além das amostras citadas.

Implicações para defesa

  • Monitoramento de rede: solicitações a repositórios públicos (ex.: archive.org) contendo downloads aparentemente benignos devem ser avaliadas quando originadas por processos não usuais ou por contas com permissões limitadas.
  • Detecção em memória: ferramentas EDR com capacidade de análise de processos e deteção de comportamentos em memória aumentam a chance de identificação de payloads que nunca tocam o disco.
  • Treinamento e políticas: simulações e bloqueios para anexos compactados e execução de JScript como primeira etapa continuam sendo controles relevantes.

Resumo técnico e recomendação

A campanha demonstra como atacantes combinam técnicas conhecidas (phishing, carregamento de componentes legítimos, uso de imagens) com variações de esteganografia e execução fileless para contornar controles tradicionais. As equipes de segurança devem priorizar análise de comportamento e telemetria de execução em memória, bem como revisar regras de filtragem de anexos e políticas que permitam execução inadvertida de scripts recebidos por e-mail.

Fonte: Swiss Post Cybersecurity — análise reproduzida por Cyber Security News.

Baseado em publicação original de Cyber Security News
Publicado pela Redação Hack Alerta com base em fontes externas citadas e monitoramento editorial do Hack Alerta. Para decisões técnicas, operacionais ou jurídicas, confirme sempre os detalhes na fonte original.