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Empresas dobram investimento em IA com foco em segurança e governança de dados

Empresas dobram investimento em IA com foco em segurança e governança de dados. Pesquisa da Bain mostra que 42% estruturam uso de ferramentas pagas para controle de dados e mitigação de riscos de vazamento.

Adoção de ferramentas pagas cresce para mitigar riscos de vazamento e controle de acesso

A nova edição da pesquisa State of Data, realizada pela Bain & Company em parceria com a Data Hackers, aponta avanço na adoção corporativa de IA, com 42% empresas estruturando o uso de ferramentas pagas para ganho de eficiência e controle de dados, mais que o dobro do ano anterior. Para Felipe Fiamozzini, expert partner da Bain, a mudança reflete uma preocupação crescente com segurança da informação e proteção de dados corporativos.

Segurança da informação e ambientes controlados

“Há um maior entendimento sobre a importância de estruturar o uso dessas ferramentas dentro de ambientes corporativos controlados, uma vez que a aplicação de plataformas abertas pode expor conteúdos sensíveis. Com a adoção de soluções oficiais, é possível aumentar a produtividade das equipes mantendo maior controle sobre dados e informações estratégicas”, explica.

“Estamos vivendo uma evolução muito rápida dos modelos de inteligência artificial, impulsionada pela aceleração de novas tecnologias e, mais recentemente, pelo avanço dos agentes de IA, que ampliam significativamente o potencial de automação e tomada de decisão dentro das empresas. Esse novo cenário eleva o nível de complexidade e, consequentemente, a necessidade de uma governança mais robusta e estratégica. Não se trata apenas de adotar ferramentas, mas de garantir controle, segurança e uma direção clara de uso.”

Controles sobre plataformas gratuitas e políticas internas

A preocupação com segurança da informação também tem levado parte das organizações a estabelecer mais controles sobre as plataformas gratuitas. Segundo o levantamento, 58,4% permitem que colaboradores utilizem essas ferramentas por iniciativa própria. Esse percentual caiu 5,2 pontos percentuais em relação a 2024, quando era de 63,6%, indicando que políticas e diretrizes começam a ficar mais claras para o uso dessas soluções.

Ainda assim, indica que uma fatia relevante de empresas não possui uma estratégia totalmente centralizada para a tecnologia. O cenário atual reforça que a IA segue ganhando importância estratégica nas empresas. Hoje, 26,6% dos profissionais dizem que a IA generativa é a principal prioridade tecnológica de suas organizações, acima dos 24,1% registrados no levantamento anterior.

Adoção por setores e barreiras tecnológicas

O grau de prioridade, porém, varia entre setores. O segmento de tecnologia lidera, com 74,4% das respostas apontando a IA generativa como prioridade, seguido por serviços financeiros (71,3%) e educação (58,1%). O levantamento revela ainda que 98% dos especialistas em dados do país afirmam usar ferramentas de produtividade baseadas em inteligência artificial generativa no dia a dia – um novo salto em relação aos 93% registrados em 2024 e aos 80% de 2023.

Hoje, 90% dos profissionais dizem que suas organizações já trabalham com a tecnologia. Há dois anos esse percentual era de 70,4%, o que evidencia o rápido avanço da IA Generativa da fase de experimentação para um componente comum nas atividades das equipes de dados. Entre as empresas que ainda não utilizam IA generativa, os principais entraves estão relacionados à maturidade tecnológica.

Barreiras e futuro da governança de IA

Os profissionais apontam como barreiras a percepção de que os dados corporativos ainda não estão preparados para aplicações de IA (34%), a falta de expertise ou recursos técnicos (33,5%) e a dificuldade de identificar casos de uso claros (30,7%). Os dados indicam que o acesso às ferramentas já está amplamente disseminado entre os profissionais, mas que muitas organizações ainda estão construindo as bases necessárias para escalar o uso da tecnologia.

Nos próximos anos, o avanço da IA generativa no ambiente corporativo deve depender menos da experimentação individual e mais da capacidade das empresas de estruturar governança, priorizar casos de uso com impacto claro no negócio e integrar essas soluções aos seus processos e produtos. A segurança e a proteção de dados permanecem como pilares centrais para a adoção sustentável e segura da inteligência artificial nas organizações.


Baseado em publicação original de TI Inside
Publicado pela Redação Hack Alerta com base em fontes externas citadas e monitoramento editorial do Hack Alerta. Para decisões técnicas, operacionais ou jurídicas, confirme sempre os detalhes na fonte original.