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Falha no cliente Forcepoint One DLP permite execução arbitrária

Pesquisador demonstrou bypass em runtime Python incluído no Forcepoint One DLP (CVE-2025-14026): é possível restaurar ctypes via módulo patchado, habilitar chamadas a DLLs e execução arbitrária. A Forcepoint confirmou remoção do runtime vulnerável a partir da versão 23.11 (DLP v10.2) e o CERT/CC recomenda atualização imediata. Equipes de segurança devem priorizar patches, reforçar EDR e revisar políticas de DLP.

Resumo rápido

Uma vulnerabilidade crítica no cliente Forcepoint One DLP foi divulgada e demonstrada por pesquisador, permitindo a restauração da extensão ctypes no runtime Python embarcado e consequente execução arbitrária de código nos endpoints afetados.

O que foi divulgado

O relatório publicado pela Cyber Security News descreve a falha rastreada como CVE-2025-14026. O cliente Forcepoint One DLP nas compilações que incluíam um runtime Python restrito (identificado na matéria como a version 23.04.5642 e possivelmente versões subsequentes) embarcava um intérprete Python 2.5.4 com a biblioteca ctypes deliberadamente omitida — uma medida do fornecedor para reduzir vetores de execução de código nativo.

Vetor e técnica demonstrada

Segundo o pesquisador Keith Lee descrito no artigo, o mecanismo de bypass consiste em restaurar a funcionalidade do ctypes no ambiente Python restrito. O procedimento relatado envolve transferir dependências compiladas do ctypes de outro sistema e aplicar um patch de cabeçalho de versão ao módulo ctypes.pyd. Uma vez posicionado no search path do Python utilizado pelo cliente DLP, o módulo é carregado e permite invocar DLLs, manipular memória e executar payloads em shellcode ou bibliotecas — transformando uma proteção destinada a mitigar execução nativa em um ponto de execução arbitrária.

Impacto operacional

Como o DLP opera com privilégios no endpoint e é responsável por controles de prevenção de perda de dados, a execução arbitrária dentro do contexto do cliente pode permitir:

  • contornar funções de proteção e exfiltrar ou alterar políticas;
  • injetar código em processos do sistema ou em módulos de segurança;
  • desabilitar ou manipular logs e monitoramento locais.

O texto da fonte não documenta número de vítimas nem relatos confirmados de exploração em larga escala — o que deixa em aberto se houve abuso ativo antes da divulgação.

Resposta do fornecedor e orientação

A Forcepoint reconheceu a vulnerabilidade e informou que a runtime Python vulnerável foi removida das builds do Forcepoint One Endpoint a partir da versão 23.11, como parte do DLP v10.2, segundo a matéria. O CERT/CC emitiu orientação para que organizações atualizem imediatamente para versões de endpoint que não incluam o binário python.exe.

Recomendações práticas para CISOs e equipes de SOC/Endpoint

  • Priorizar atualização dos endpoints para as versões mencionadas (Forcepoint One Endpoint 23.11 / DLP v10.2) em toda a frota gerenciada;
  • onde a atualização imediata não for possível, isolar hosts que executam o cliente vulnerável, reforçar monitoramento de EDR e revisar regras de detecção para invocações suspeitas de processos que interfiram no runtime Python;
  • auditar configurações de DLP e telemetria local para identificar alterações inesperadas em módulos, bibliotecas carregadas e chamadas a DLLs externas;
  • confirmar procedimentos de resposta a incidentes: cópias integradas e validação de integridade dos agentes DLP e pontos de restauração seguros dos endpoints.

O que ainda falta

As publicações consultadas não apresentam evidências públicas de exploração direcionada em clientes ou indicadores de comprometimento (IoCs) distribuídos. Também não há, no texto fonte, referência a mitigadores temporários fornecidos pela Forcepoint além da remoção do runtime nas builds posteriores. Empresas que utilizam Forcepoint devem exigir do fornecedor cronograma de rollout, notas de verificação de integridade e listas de indicadores relacionados ao incidente.

Conclusão

A falha descrita em CVE-2025-14026 transforma uma medida de contenção (um runtime Python intencionalmente limitado) em um vetor quando é possível restaurar componentes nativos como ctypes. Para ambientes empresariais que dependem do DLP como controle preventivo, a falha tem implicações operacionais diretas: perda de confiança no agente de proteção e abertura para execução local de código. Atualização e monitoramento são as ações imediatas indicadas pelas fontes.


Baseado em publicação original de Cyber Security News
Publicado pela Redação Hack Alerta com base em fontes externas citadas e monitoramento editorial do Hack Alerta. Para decisões técnicas, operacionais ou jurídicas, confirme sempre os detalhes na fonte original.