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Google Project Zero revela cadeia de exploits zero-click para dispositivos Pixel 10

Pesquisadores do Google Project Zero demonstraram uma cadeia de exploits zero-click que compromete dispositivos Pixel 10. A exploração combina falhas no framework Dolby e no driver VPU para obter acesso root sem interação do usuário, exigindo atualização imediata do sistema.

Uma nova cadeia de exploits zero-click direcionada a dispositivos Google Pixel 10 foi divulgada pelo Google Project Zero, levantando preocupações sobre a segurança de baixo nível do Android.

Os pesquisadores demonstraram como atacantes poderiam comprometer silenciosamente um dispositivo e escalar privilégios para root sem qualquer interação do usuário, encadeando apenas duas vulnerabilidades.

Contexto da descoberta e escopo

A pesquisa se baseia em estudos anteriores direcionados a dispositivos Pixel 9, nos quais uma falha no framework de mídia Dolby (CVE-2025-54957) permitia execução remota de código. Para o Pixel 10, os pesquisadores adaptaram o mesmo ponto de entrada com esforço mínimo, recalculando os offsets de memória para a biblioteca Dolby atualizada.

No entanto, a exploração tornou-se ligeiramente mais complexa devido à introdução do Return Address Pointer Authentication (RET PAC), que substituiu mecanismos tradicionais de proteção de pilha. Como o alvo de sobrescrita usual (__stack_chk_fail) não estava mais disponível, os pesquisadores identificaram uma função alternativa, dap_cpdp_init, que poderia ser sequestrada com segurança sem interromper a estabilidade do sistema.

Isso permitiu que o exploit zero-click permanecesse eficaz em dispositivos não corrigidos que executavam atualizações de segurança emitidas antes de dezembro de 2025.

Detalhes técnicos da exploração

A exploração inicial permaneceu semelhante, mas a fase de escalonamento de privilégios exigiu uma abordagem completamente nova. O Pixel 10 não inclui mais o driver BigWave vulnerável usado em ataques anteriores. Em vez disso, os pesquisadores descobriram uma falha crítica em um driver recém-introduzido localizado em /dev/vpu.

Este driver interfaceia com a unidade de processamento de vídeo Chips&Media Wave677DV no chip Google Tensor G5. Durante uma auditoria breve, pesquisadores do Project Zero identificaram uma vulnerabilidade grave na funcionalidade de mapeamento de memória do driver.

A falha reside na forma como o driver lida com solicitações mmap. Especificamente, ele falha em validar o tamanho da memória sendo mapeada ao chamar remap_pfn_range. Isso permite que atacantes solicitem mapeamentos de memória excessivamente grandes.

O driver não impõe limites nas regiões mapeadas, expondo grandes seções de memória física, incluindo espaço de kernel. Como o kernel Android é carregado em um endereço físico previsível em dispositivos Pixel, atacantes podem localizar e sobrescrever diretamente estruturas críticas do kernel.

Isso concede efetivamente acesso de leitura e escrita arbitrário à memória do kernel. Os pesquisadores notaram que alcançar um comprometimento total do kernel exigia apenas algumas linhas de código, tornando esta vulnerabilidade incomumente fácil de explorar em comparação com bugs típicos de kernel.

Novo vetor de escalonamento de privilégios

Combinando a vulnerabilidade zero-click do Dolby com a falha do driver VPU, os atacantes podem executar código remotamente sem interação do usuário, escalar privilégios para nível root e assumir controle completo do dispositivo.

Em um cenário real, um arquivo de mídia malicioso poderia acionar a exploração inicial, seguido por manipulação do kernel para desativar controles de segurança ou instalar malware persistente.

A descoberta destaca como falhas menores em drivers de hardware podem levar a um comprometimento total do sistema, reforçando a necessidade de revisões de segurança mais rigorosas em todo o ecossistema Android.

Impacto na segurança do ecossistema Android

A pesquisa sublinha um desafio mais amplo: mesmo falhas menores em drivers de hardware podem levar a um comprometimento total do sistema. Isso reforça a necessidade de revisões de segurança mais rigorosas em todo o ecossistema Android.

O driver VPU vulnerável foi desenvolvido pela mesma equipe responsável pelo driver BigWave anteriormente falho, sugerindo lacunas recorrentes em práticas de codificação segura e auditoria.

O Google abordou a questão em 71 dias, liberando patches na atualização de segurança do Android de fevereiro de 2026, marcando uma melhoria notável no tempo de resposta em comparação com vulnerabilidades de driver passadas.

Apesar da correção mais rápida, as descobertas destacam as fraquezas contínuas no desenvolvimento de drivers Android. O Project Zero enfatizou que, embora o patch mais rápido seja um passo positivo, prevenir que tais vulnerabilidades cheguem à produção permanece crítico.

Medidas de mitigação e recomendações para CISOs

Organizações devem agir imediatamente para reduzir o risco:

  • Aplicar as atualizações de segurança mais recentes que corrigem as vulnerabilidades relacionadas.
  • Monitorar dispositivos Pixel 10 para atividades suspeitas de acesso a memória kernel.
  • Auditar o uso de chamadas de sistema relacionadas a mmap e remap_pfn_range.
  • Restringir o acesso local sempre que possível, pois a exploração requer presença local.
  • Implementar soluções de detecção de intrusão focadas em comportamento de kernel.

A atualização de segurança do Android de fevereiro de 2026 deve ser aplicada prioritariamente em dispositivos Pixel 10 para mitigar este risco.

Implicações para a cadeia de suprimentos de hardware

A descoberta reforça a necessidade de auditorias de segurança mais rigorosas em todo o ecossistema Android. A falha no driver VPU, desenvolvido pela mesma equipe responsável pelo driver BigWave anteriormente falho, sugere lacunas recorrentes em práticas de codificação segura.

Isso destaca a importância de revisar não apenas o software, mas também os drivers de hardware e as práticas de desenvolvimento dos fornecedores de componentes.

Perguntas frequentes

Qual é a severidade desta vulnerabilidade?
A vulnerabilidade foi classificada como de alta severidade, permitindo acesso root sem interação do usuário.

Quais dispositivos são afetados?
Dispositivos Google Pixel 10 que não foram atualizados para a versão de segurança de fevereiro de 2026 ou posterior.

Como os atacantes exploram essa falha?
Através de um arquivo de mídia malicioso que aciona a exploração do framework Dolby, seguido pelo escalonamento de privilégios via driver VPU.

Existe um exploit público disponível?
Os pesquisadores demonstraram a exploração, mas não divulgaram código de exploração público no momento da divulgação.

Qual é a recomendação principal para administradores?
Aplicar imediatamente a atualização de segurança do Android de fevereiro de 2026 e monitorar dispositivos Pixel 10 para atividades suspeitas.


Baseado em publicação original de Cyber Security News
Publicado pela Redação Hack Alerta com base em fontes externas citadas e monitoramento editorial do Hack Alerta. Para decisões técnicas, operacionais ou jurídicas, confirme sempre os detalhes na fonte original.