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HoneyMyte usa rootkit em modo kernel para carregar ToneShell

A Kaspersky descreve uma campanha do HoneyMyte que utiliza um driver em modo kernel como rootkit/loader para injetar e proteger o backdoor ToneShell. O método impede ações de remoção, protege processos e registra callbacks de arquivo e registro; o C2 comunica-se por conexões raw TCP no porto 443.

Introdução

A Kaspersky publicou um relatório detalhado sobre uma campanha atribuída ao grupo HoneyMyte (também conhecido como Mustang Panda / Bronze President) em 2025, em que o ator passou a usar um rootkit em modo kernel como loader e mecanismo de proteção para o backdoor ToneShell.

O que foi observado

Segundo a análise, o componente malicioso atua como um mini-filter driver (arquivo ProjectConfiguration.sys) e incorpora dois payloads em modo usuário que são injetados posteriormente em processos de alto privilégio. O driver emprega técnicas de proteção para impedir remoção ou análise, incluindo interceptação de operações de arquivo e registro e bloqueio de ações de segurança. A Kaspersky conclui com alta confiança o vínculo com HoneyMyte, apoiada pelo uso do ToneShell como payload final.

Técnicas de persistência e ocultação

  • Proteção de arquivo: o driver registra callbacks de pré-operação no Filter Manager e força falhas (STATUS_ACCESS_DENIED) para operações que possam renomear ou excluir o próprio binário.
  • Proteção de chaves de registro: o malware registra callbacks de registro (CmRegisterCallbackEx) usando um mecanismo de altitude dinâmico para garantir a instalação do callback e bloquear modificações em chaves específicas.
  • Proteção de processos: callbacks de ObRegisterCallbacks e PsSetCreateProcessNotifyRoutine limitam acessos a processos protegidos, setando DesiredAccess para 0 quando o PID está na lista interna.

Fluxo de implantação do ToneShell

A cadeia de ataque identifica um processo de alto privilégio (rodando como SeLocalSystemSid), injeta um pequeno carregador em svchost e, a seguir, injeta o backdoor ToneShell nesse processo. O ToneShell, comunicado por command-and-control registrados em avocadomechanism[.]com e potherbreference[.]com, usa comunicações raw TCP no porto 443 com um marcador que imita o header TLS (0x17 0x03 0x04), seguido de um campo de tamanho e payload cifrado por XOR rotativo.

Funcionalidade do backdoor

O ToneShell presente neste caso oferece um conjunto de comandos para upload/download de arquivos, shell remota via pipe, execução de comandos operados por ator e controle de sessão. A amostra descrita emprega um identificador único de host — verificando ou criando C:\ProgramData\MicrosoftOneDrive.tlb — para persistir seu identificador local.

Aspectos notáveis

  • É a primeira amostra observada do ToneShell entregue por um loader em modo kernel, o que aumenta a sua resistência à detecção por soluções em modo usuário.
  • O driver usa um certificado digital antigo (assinado em nome de Guangzhou Kingteller Technology Co., Ltd.) que, segundo o relatório, já aparece associado a múltiplos binários maliciosos.

Indicadores e investigação

A Kaspersky disponibiliza diversos indicadores de comprometimento, incluindo hashes associados a ProjectConfiguration.sys e os domínios C2. A recomendação é que equipes de resposta reservem análise de memória e forense volátil, pois o shellcode e payloads executam majoritariamente em memória.

Recomendações práticas (conforme Kaspersky)

  • Implementar EDR com capacidades de análise de memória e detecção de injeção em processos de sistema.
  • Monitorar conexões TCP suspeitas no porto 443 com padrões não-TLS e buscar domínios associados aos C2 revelados.
  • Realizar varredura de drivers instalados e validar assinaturas digitais e origem dos certificados.
  • Manter inventário de ferramentas e dispositivos que permitam instalação de drivers de terceiros e aplicar controles de whitelisting quando possível.

Limitações do relatório

A análise concentra-se em uma campanha regional e em amostras observadas durante 2025; o relatório não fornece número absoluto de vítimas por país além de referências geográficas (maior incidência na Ásia), nem detalhes sobre o vetor inicial de acesso em todos os casos — há suspeita de uso de máquinas previamente comprometidas para implantar o loader.

Conclusão

A evolução do HoneyMyte para usar loaders em modo kernel eleva o nível de desafio para detecção e resposta. Equipes de segurança devem priorizar capacidades de memory forensics, auditoria de drivers e monitoramento de tráfego atípico para identificar e mitigar essa ameaça.


Baseado em publicação original de Kaspersky
Publicado pela Redação Hack Alerta com base em fontes externas citadas e monitoramento editorial do Hack Alerta. Para decisões técnicas, operacionais ou jurídicas, confirme sempre os detalhes na fonte original.