Inteligência artificial transforma serviços públicos no Rio Grande do Sul
Durante o South Summit, em Porto Alegre, o painel “Technology Arbitrage: How to Leverage the AI-Powered Advantage” reuniu Tonny Martins, presidente da IBM América Latina, e Lisiane Lemos, secretária de Inclusão Digital e Equidade do Governo do Rio Grande do Sul, para discutir como a inteligência artificial pode ser aplicada como diferencial competitivo.
Mediando a conversa, Lisiane também destacou iniciativas do estado no uso da tecnologia e seu impacto em políticas públicas. Ao abrir o painel, Lisiane contextualizou o debate sob a perspectiva de execução. “A gente precisa entender o que se faz pra transformar a IA em vantagem competitiva, não por meio de pilotos, mas a gente vai falar de execução, de governança e de pessoas”, afirmou.
Execução e governança
Além da mediação, a secretária trouxe exemplos concretos da aplicação de inteligência artificial no estado. “A Guria, nossa inteligência artificial que todos vocês podem acessar pra saber de políticas públicas que a gente desenvolve, foi desenvolvida com o Watson X”, disse. Segundo ela, a iniciativa faz parte de um esforço mais amplo de digitalização e inclusão. “Eu sou responsável por um acordo da IBM para qualificar a população para uso de inteligência artificial”, afirmou, destacando a preocupação com a formação de profissionais diante da crescente demanda por competências digitais.
Tonny Martins, por sua vez, estruturou a discussão em três pilares principais para a adoção da IA nas empresas. “A gente olha a aplicação de inteligência artificial nas empresas com três vetores principais”, disse. O primeiro deles é a criação de valor. “Não dá mais pra gente pensar novos produtos, novos serviços, sem pensar em tecnologia”, afirmou.
O segundo vetor apontado pelo executivo é produtividade e eficiência. “Cada vez mais a gente vai ver as funções sendo viabilizadas pelo tema da inteligência artificial”, disse, destacando mudanças nos modelos operacionais das empresas. Já o terceiro pilar envolve pessoas e liderança. “De nada adianta você ter uma tecnologia avançada se você não muda o mindset”, afirmou.
Technology Arbitrage
No campo da competitividade, Martins destacou o conceito de technology arbitrage, no qual a tecnologia se torna determinante para diferenciação no mercado. “Vai determinar a sua competitividade e diferenciação futura”, disse. Segundo ele, ganhos de eficiência podem ser reinvestidos em inovação. “Geramos quatro ponto cinco bilhões de dólares de eficiência”, afirmou, citando resultados da própria IBM.
A discussão também avançou para o papel da tecnologia no setor público. Martins destacou a parceria com o governo do Rio Grande do Sul como exemplo de aplicação prática. “A gente aplica aqui inteligência artificial generativa pra setecentos e cinquenta e oito serviços públicos que tão noventa e seis por cento digitalizados”, disse, ressaltando o impacto na aproximação entre governo e cidadão.
Capacitação e liderança
Lisiane reforçou esse ponto ao trazer sua experiência no setor público. “Comecei a ver a inteligência artificial como uma política pública”, afirmou, destacando que a tecnologia pode ampliar o acesso a serviços e melhorar a eficiência da gestão estatal.
Outro tema central do painel foi a capacitação da população. Martins ressaltou a importância do desenvolvimento de habilidades para acompanhar a evolução tecnológica. “O elemento fundamental é capacitação e recapacitação”, disse. Segundo ele, a IBM tem metas globais de formação. “Trinta milhões de pessoas serão capacitadas em tecnologia até 2030”, afirmou.
Ao abordar liderança, o executivo destacou mudanças no papel dos gestores. “O papel da liderança é sempre muito importante, cada vez mais importante”, disse. Segundo ele, o foco deixa de ser execução e passa a envolver engajamento e inovação. “Administrador, gestor, executor dá lugar pra um papel muito mais importante, que é o engajador, o co-criador, o idealizador”.
Requisitos para IA corporativa
Na visão de Martins, a adoção da IA em escala exige também atributos técnicos específicos. “Ela precisa ser confiável, precisa ser transparente, precisa ser explicável, precisa ser escalável e precisa ser eficiente”, afirmou, ao detalhar os requisitos para uma inteligência artificial corporativa.
Por fim, o executivo destacou que o ponto de partida para empresas ainda está na base. “Começar pelo básico”, disse. Segundo ele, isso envolve estruturação de dados, escolha de modelos e capacidade de orquestração tecnológica. “Você precisa ter dados estruturados prontos, confiáveis pra consumo da inteligência artificial”, afirmou.
O que fazer agora
As organizações devem focar na execução e governança da IA, não apenas em pilotos. A capacitação da população e a mudança de mindset dos gestores são fundamentais. A estruturação de dados e a escolha de modelos confiáveis são passos iniciais para a adoção de IA em escala.