Hack Alerta

Relatório Kaspersky 2025: spam, phishing e novas táticas de fraude

Relatório da Kaspersky sobre 2025 descreve evolução do phishing: QR codes em anexos, abuso de serviços legítimos (Google/OpenAI), ataques a fluxos de KYC e forte impacto em mensageiros. Brasil aparece entre os países com maior taxa de usuários atacados (15,48%).

Relatório Kaspersky 2025: spam, phishing e novas táticas de fraude

O relatório anual da Kaspersky sobre spam e phishing para 2025 mostra evolução tática dos atacantes: QR codes, abuso de serviços legítimos (Google, OpenAI), e campanhas de KYC e phishing via mensageiros ganharam escala. Os dados indicam persistência do problema e implicações diretas para proteção de identidade no Brasil.

Principais números

  • Kaspersky bloqueou 554.002.207 tentativas de seguir links de phishing em 2025.
  • Foram bloqueados 144.722.674 anexos maliciosos enviados por e‑mail.
  • O spam representou, em média, 44,99% do tráfego global de e‑mail; no segmento russo (Runet) o índice foi 43,27%.
  • No mapa global de alvos de phishing, o Brasil aparece entre os países com maior porcentagem de usuários atacados (15,48%).

Novas técnicas e vetores observados

A Kaspersky detalha várias mudanças técnicas e operacionais que tornaram as campanhas mais efetivas em 2025:

  • QR codes em anexos e convites de calendário: QR codes passaram a ser colocados dentro de PDFs e convites, redirecionando vítimas a páginas de autenticação falsas (ex.: formulários Microsoft). Essa técnica dificulta a detecção por filtros que analisam apenas o corpo das mensagens.
  • Abuso de serviços legítimos: Google Calendar, Google Forms, YouTube, Google Groups e até o processo de criação de organizações na plataforma OpenAI foram usados para entregar links maliciosos que parecem originar de servidores confiáveis.
  • Phishing direcionado a KYC: clones de páginas de verificação de identidade (incluindo pedidos de fotos de documento e selfies) avultaram; isso tem risco acentuado para fraudes que exploram dados oficiais, como CPF no Brasil.
  • Mensageiros (WhatsApp/Telegram): campanhas para capturar códigos de autenticação e sessões proliferaram — via páginas de “votação”, ofertas de assinaturas Premium e falsas transferências de playlists.
  • Iscas relacionadas a IA: golpes ligados a ChatGPT/“prompts” e supostas assinaturas do ChatGPT Plus surgiram como isca para roubo de dados ou pagamento fraudulento.

Impacto no Brasil

O relatório cita especificamente esquemas localizados no Brasil: campanhas que prometem pagamento por ouvir/ratear músicas e que pedem o PIX para “sacar ganhos”, além de páginas falsas de emissão de documentos governamentais (por exemplo, pedidos sob o pretexto de emitir CCIR) que exigem CPF e chegam a solicitar taxas de processamento. Esses vetores aumentam o risco de vazamento de dados sensíveis e fraude financeira local.

Malware e anexos

Entre os malwares distribuídos por e‑mail em 2025, a Kaspersky identifica famílias que roubam credenciais, instalam backdoors e criam tarefas agendadas. O relatório lista Makoob, Badun, Taskun e Agensla como famílias prevalentes em anexos maliciosos — indicação de que a engenharia social continua sendo o gatilho primário para infecções.

Recomendações práticas

  • Controle de anexos e sandboxing: tratar com cautela PDFs/ZIPs protegidos por senha e arquivos com dupla extensão; priorizar análise em sandbox e bloquear execução de scripts recebidos por e‑mail.
  • Filtragem de links e proteção de calendários: revisar políticas de aceitação de convites externos e aplicar regras que inspecionem anexos em eventos e descrições de calendário.
  • Proteção de KYC: políticas estritas de armazenamento e verificação de documentos, limitar exposição de fotos/documentos e monitorar uso indevido de dados (venda em mercados ilícitos).
  • Mensageiros: educar usuários sobre engenharia social em WhatsApp/Telegram e bloquear automações que solicitem códigos de MFA fora de fluxos oficiais.
  • MFA e backups: exigir MFA para contas sensíveis e manter backups offline/inmutáveis — especialmente relevante contra grupos que exfiltram dados sem criptografar sistemas.

O que falta nos dados

A Kaspersky publica estatísticas agregadas por país e famílias de malware, mas não há um mapeamento público detalhado por setor e por campanha com indicadores técnicos completos em todos os casos. Organizações que precisam de IoCs específicos devem consultar fornecedores de EDR/CTX ou relatórios TTPs mais técnicos das equipes de resposta.

Conclusão

O relatório mostra que os atacantes estão reutilizando serviços legítimos e multi‑estágio para aumentar a taxa de sucesso do phishing. Para o Brasil, a combinação de iscas locais (PIX/CPF) com vetores modernos (QR, Google/OpenAI) exige uma estratégia que una prevenção técnica, detecção proativa e treinamento contínuo de usuários.

Fonte

Kaspersky — "Spam and phishing in 2025" (relatório publicado em 11/02/2026)

Baseado em publicação original de Kaspersky
Publicado pela Redação Hack Alerta com base em fontes externas citadas e monitoramento editorial do Hack Alerta. Para decisões técnicas, operacionais ou jurídicas, confirme sempre os detalhes na fonte original.