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Malware em Maven Central: pacote typosquatting fingia ser Jackson

Um pacote malicioso publicado no Maven Central usou typosquatting de namespace para imitar Jackson e executava código malicioso em aplicações Spring Boot. O artefato baixava payloads (Cobalt Strike) e usava ofuscação e nomes typosquat para persistência e evasão.

Introdução

Analistas identificaram um pacote malicioso publicado no repositório Maven Central que imitava a biblioteca Jackson para Java por meio de typosquatting de namespace (org.fasterxml.jackson.core em vez de com.fasterxml.jackson.core). A descoberta expõe riscos persistentes na cadeia de suprimentos de software.

Descoberta e escopo

Aikido pesquisou o artefato e reportou o pacote ao Maven Central, que removeu a publicação em cerca de 1,5 hora. O domínio fraudulento fasterxml[.]org, usado para suportar a operação, foi registrado em 17 de dezembro de 2025 — apenas oito dias antes da detecção — padrão típico de campanhas que reduzem janela para bloqueio.

Mecanismo de infecção

O pacote era projetado para ativar automaticamente em aplicações Spring Boot: ao ser adicionada como dependência, a classe JacksonSpringAutoConfiguration era detectada pelo scanner do framework e executava rotinas maliciosas no momento do bootstrap. A cadeia de execução verifica ApplicationRunner.class para garantir execução em ambientes Spring Boot.

Payloads e C2

O jar incluía código ofuscado que, após deobfuscação pela equipe de pesquisa, revelou um trojan downloader que consulta um arquivo de configuração AES‑ECB hospedado em http[:]//m[.]fasterxml[.]org:51211/config.txt. A chave AES hardcoded (9237527890923496) decodifica URLs de payloads por plataforma (formato os|url), baixando binários que foram identificados como beacons Cobalt Strike em Linux e macOS.

Persistência e evasão

  • Procura por arquivo .idea.pid para controle de persistência — nome que se mistura a estruturas de projeto IntelliJ e reduz suspeita manual.
  • Uso de nomes de arquivo typosquat (svchosts.exe) e supressão de saída (NUL, /dev/null) para evitar detecção visível.
  • Camadas de ofuscação que tentam confundir análise estática e ferramentas de ML por meio de ruído e prompt injection.

Impacto e recomendações

Embora a remoção tenha sido rápida, a campanha ilustra risco real: desenvolvedores confundindo namespaces podem introduzir dependências maliciosas em builds, levando a comprometimento de ambientes de CI/CD e aplicações em produção. Recomendam‑se controles:

  • Whitelist de artefatos e verificação de assinatura de dependências críticas.
  • Análise de SBOM e verificação automatizada de alterações em dependências durante pipelines CI.
  • Escaners de dependência com heurísticas para typosquatting e validação de domínios relacionados ao fornecedor.
  • Isolamento de ambientes de build e monitoramento de downloads de dependências para detectar baixadas inesperadas.

Conclusão

A ocorrência reforça que repositórios de pacotes são alvos privilegiados e que a disciplina de gestão de dependências e controles no pipeline de desenvolvimento é crítica para reduzir risco de supply‑chain. Times de desenvolvimento e segurança devem aplicar camadas de verificação antes de aceitar novas bibliotecas em projetos.


Baseado em publicação original de Cyber Security News
Publicado pela Redação Hack Alerta com base em fontes externas citadas e monitoramento editorial do Hack Alerta. Para decisões técnicas, operacionais ou jurídicas, confirme sempre os detalhes na fonte original.