Hack Alerta

MuddyWater passa a usar implante em Rust chamado ‘RustyWater’ em campanhas por e‑mail

Pesquisadores da CloudSEK documentaram que o MuddyWater (APT ligado ao Irã) passou a usar documentos Word com macros para instalar um implante em Rust — RustyWater — capaz de evitar AV/EDR, persistir via Run e se comunicar usando a biblioteca reqwest.

Resumo

Pesquisadores identificaram uma mudança de plataforma no arsenal do grupo Iraniano MuddyWater: documentos Word com macros entregam um implante escrito em Rust, batizado 'RustyWater', projetado para evitar detecção por AV/EDR e manter persistência em sistemas Windows.

Descoberta e escopo

A investigação conduzida por analistas da CloudSEK, relatada por veículos especializados, encontrou campanhas de spear‑phishing que visam setores diplomático, marítimo, financeiro e de telecomunicações no Oriente Médio. Os e‑mails contêm documentos Word disfarçados como diretrizes ou políticas e exigem habilitação de macros para iniciar a cadeia de infecção.

Vetor e técnica de entrega

O documento malicioso contém duas funções VBA que colaboram para reconstruir e escrever um binário codificado em hex num arquivo chamado CertificationKit.ini no diretório ProgramData. As funções descritas são:

  • WriteHexToFile: extrai dados hex-encodados de um controle UserForm, converte para binário e salva como CertificationKit.ini.
  • love_me_: monta dinamicamente comandos via codificação ASCII e invoca cmd.exe para executar o payload dropado.

Evasão e persistência

O implante RustyWater emprega várias técnicas de evasão documentadas nas fontes:

  • Cifração XOR posicional das strings para dificultar análise estática.
  • Verificação de presença de mais de 25 produtos AV/EDR pesquisando nomes de serviços, binários e caminhos de instalação; quando detecta defesas, ajusta comportamento para permanecer oculto.
  • Persistência via chave de inicialização do Windows Run, apontando para o arquivo CertificationKit.ini no ProgramData.
  • Comunicação HTTP implementada com a biblioteca Rust reqwest, com timeouts, pool de conexões e lógica de retry, além de intervalos randômicos entre comunicações para dificultar detecção por análise de tráfego.

Coleta de dados e exfiltração

O malware coleta informações do sistema (nome de usuário, nome do host, domínio) e empacota os dados em JSON; antes de exfiltrar, aplica camadas de codificação base64 e múltiplas camadas de XOR. As comunicações são feitas para servidores de comando e controle, com técnicas para dificultar correlação de rede.

Impacto e limites

As fontes indicam que o uso de Rust representa uma evolução significativa na engenharia da ameaça, já que o grupo vinha empregando PowerShell e VBS. A mudança para um implante nativo compilado em Rust aumenta a complexidade de detecção por assinaturas e metodologia tradicional de análise. As publicações não quantificam o número de vítimas nem indicam comprometimento massivo em termos de volume de dados divulgado publicamente; o escopo observado concentra‑se em alvos regionais sensíveis.

Mitigações recomendadas

  • Desabilitar macros por padrão e aplicar políticas de Group Policy para bloquear macros VBE/AutoOpen em documentos Office recebidos por e‑mail.
  • Monitorar a presença de arquivos suspeitos em ProgramData, em especial arquivos com nomes atípicos como CertificationKit.ini, e verificar timestamps e hashes correlacionados com telemetria de endpoint.
  • Implementar detecções comportamentais para processos que reconstroem binários a partir de controles em documentos Office e para execução de cmd.exe via VBA.
  • Atualizar regras e assinaturas EDR para flagrar padrões de comunicação típicos do reqwest em contextos suspeitos e aplicar bloqueios de rede para destinos indicados durante investigações.
  • Realizar caça proativa (threat hunting) em logs de endpoint e proxy por indicadores de criação de arquivos a partir de macros e por conexões com padrões de retry aleatório.

Observações para CISOs

A adoção de toolchains modernos (Rust, bibliotecas HTTP robustas) por APTs eleva o limiar técnico para detecção baseada apenas em assinaturas. Equipes de defesa devem priorizar controles que reduzam o risco inicial (filtros de e‑mail, política de macros restritiva, segmentação de privilégios), e ajustar investigações para procurar artefatos de persistência em locais não convencionais. As fontes descrevem técnicas e artefatos específicos, mas não apresentam provas públicas de exploração em larga escala que permitam estimar número de sistemas comprometidos.


Baseado em publicação original de Cyber Security News
Publicado pela Redação Hack Alerta com base em fontes externas citadas e monitoramento editorial do Hack Alerta. Para decisões técnicas, operacionais ou jurídicas, confirme sempre os detalhes na fonte original.