Julho de 2026 registrou o maior volume de ataques de ransomware nos últimos 12 meses, com 955 vítimas globais, um aumento de 33,9% em relação ao mês anterior. No Brasil, o cenário também se agravou, contabilizando 26 vítimas de sequestro e extorsão de dados, elevando o total de ataques sofridos pelas organizações nacionais a 120 casos apenas em 2026. Os dados, divulgados pela Cohesity através da plataforma Ransomware.live, apontam uma escalada agressiva que não se concentra em uma única região geográfica.
Explosão nos setores de finanças e tecnologia
Os cibercriminosos continuam direcionando seus esforços contra o mercado B2B, que registrou 176 vítimas (+25,7%), seguido pelo setor de manufatura com 152 casos (+34,5%). Contudo, dois setores estratégicos apresentaram crescimento alarmante: a indústria de tecnologia viu um aumento de 68% nos ataques, chegando a 126 ocorrências, enquanto o setor de serviços financeiros experimentou um salto de 72,4%, totalizando 50 vítimas.
Gustavo Leite, vice-presidente da Cohesity para América Latina, alerta que "esse aumento no Brasil acompanha uma escalada global agressiva que não está concentrada em uma única região. O ransomware se tornou um risco crítico de paralisação de negócios". A alta atividade de ameaças indica que as defesas tradicionais estão sendo burladas com crescente sofisticação.
EUA lideram perdas globais
Em nível mundial, os Estados Unidos permanecem como o país mais afetado isoladamente, com 318 vítimas, um aumento de 59% em relação a junho. Alemanha (58) e Reino Unido (39) ocupam as posições subsequentes. O Brasil, com 26 casos, caiu da terceira para a sexta colocação no ranking global, reflexo da explosão de ocorrências em outras regiões como Espanha e Turquia, que saltaram diretamente para o Top 10 mundial.
Resiliência como prioridade
Diante do cenário hostil, a estratégia de defesa deve mudar de prevenção pura para resiliência operacional. As empresas precisam garantir que, mesmo se forem atacadas, consigam recuperar seus dados rapidamente e com segurança, sem ceder ao pagamento de resgates. A prioridade deve ser a implementação de backups imutáveis, testes regulares de recuperação de desastres e segmentação de rede para conter a propagação lateral do malware.
Linha do tempo do incidente
O relatório da Cohesity destaca que o pico de julho superou o antigo recorde de dezembro de 2025 (881 ocorrências). A tendência de crescimento é consistente, com números mensais oscilando entre 700 e 900 ataques desde janeiro de 2026, indicando uma campanha persistente e organizada por grupos criminosos.
O que fazer agora
Executivos e líderes de segurança devem revisar imediatamente seus planos de resposta a incidentes. A análise dos dados sugere que a infraestrutura de comunicação e governança de IA, muitas vezes negligenciada, pode ser um vetor de entrada. É crucial validar a integridade dos backups e realizar simulações de ataque para testar a capacidade de recuperação das operações críticas.