Contexto do cenário de ameaças
O Brasil ocupou o terceiro lugar no ranking global de países mais afetados por ataques de ransomware em junho de 2026, segundo dados divulgados pela plataforma Ransomware.live, iniciativa do CISO da Cohesity, Julien Mousqueton. O país registrou 23 casos confirmados de ataques bem-sucedidos no mês, superando nações tradicionalmente mais visadas em termos de volume absoluto, como Reino Unido e Índia. Esta é a primeira vez que o Brasil aparece entre os dez países mais afetados desde o início da publicação dos dados do site, em janeiro.
A análise dos dados revela uma mudança estratégica por parte dos grupos criminosos, que parecem estar focando em jurisdições com menor maturidade na resposta a incidentes e na coordenação com forças de segurança. O Brasil, junto com Índia e Tailândia, emerge como alvo recém-identificado, sugerindo uma exploração de lacunas na defesa cibernética local.
Setores mais afetados
Em junho, o mercado B2B (Business to Business) manteve-se no topo dos alvos mais atingidos, registrando 123 vítimas globalmente, o que representa uma redução de 23,1% em comparação às 160 de maio. No entanto, a persistência desse número indica que o setor corporativo continua sendo o principal foco dos criminosos. O setor de manufatura ficou na segunda colocação, com 83 ocorrências, seguido por tecnologia, que somou 56 vítimas.
Na contramão, o segmento de serviços ao consumidor foi o único a apresentar crescimento, com uma alta discreta de 1,9%, passando de 52 para 53 vítimas. Já o setor de serviços financeiros teve um recuo de 26,5%, somando 25 vítimas, enquanto transporte e logística baixaram 25,7%, chegando a 26 registros. O setor de saúde contabilizou 52 vítimas, registrando uma queda de 23,5% em relação ao mês anterior.
Implicações para o Brasil
Gustavo Leite, vice-presidente da Cohesity para América Latina, avalia que a emergência do Brasil na lista pode ser reflexo de uma estratégia deliberada de focar em jurisdições com menor maturidade na resposta a incidentes. Isso coloca as empresas brasileiras em uma posição de vulnerabilidade, exigindo investimentos mais robustos em prevenção, detecção e resposta a incidentes (PDR).
O número total de vítimas em junho foi de 708, o que representa uma redução de 10,5% em relação às 791 registradas em maio. Apesar dessa diminuição mensal, o volume permanece historicamente elevado quando comparado aos doze meses anteriores, deixando claro o quão intenso e consistente é o atual cenário de ameaças.
Medidas de mitigação recomendadas
Diante do aumento da atividade de ransomware direcionada ao Brasil, as organizações devem adotar as seguintes medidas:
- Backups imutáveis: Garantir que os backups de dados críticos sejam imutáveis e isolados da rede principal para evitar criptografia por atacantes.
- Segmentação de rede: Implementar microsegmentação para limitar o movimento lateral de atacantes dentro da rede corporativa.
- Monitoramento de tráfego: Utilizar soluções de detecção de ameaças para identificar comunicações com servidores de comando e controle (C2) de grupos de ransomware.
- Plano de resposta: Revisar e testar o plano de resposta a incidentes, garantindo que a equipe esteja preparada para agir rapidamente em caso de ataque.
Conclusão
A entrada do Brasil no top 10 global de ataques de ransomware é um alerta significativo para a comunidade de segurança da informação no país. A tendência de crescimento exige que as empresas não apenas invistam em tecnologia, mas também em processos e pessoas para fortalecer sua postura de segurança contra ameaças persistentes.