Contexto e cenário de ameaças
O Brasil consolidou-se como um dos mercados mais desafiadores para o combate a fraudes digitais no mundo, transformando essa adversidade em uma vantagem competitiva estratégica para empresas nacionais. Dados da Unico, líder em soluções de verificação de identidade e prevenção de fraudes, revelam que as tentativas de fraudes sofisticadas cresceram 1.082% em 2025, impulsionadas pelo uso intensivo de inteligência artificial para replicar rostos, vozes e comportamentos humanos. Para 2026, a projeção é de um avanço adicional de até 550%, criando um ambiente de risco extremo para instituições financeiras e setores críticos.
O custo da fraude também se tornou um fator central nessa escalada. Ataques que exigiam cerca de R$ 5 mil em hardware especializado, no passado, hoje podem ser executados por menos de R$ 30 por mês, democratizando o acesso a ferramentas de ataque e ampliando a frequência e a sofisticação das ameaças. Diante desse cenário, a resposta desenvolvida no Brasil passou por abandonar a autenticação pontual, feita apenas na abertura de conta, em favor de um modelo de confiança contínua.
Arquitetura de defesa e tecnologia
A abordagem brasileira de segurança foca na transição de um modelo estático para uma abordagem dinâmica e comportamental. Utilizando motores de aprendizado contínuo, o sistema avalia mais de 40 pontos de dados em tempo real, incluindo comportamento de uso, localização, dispositivo, biometria e histórico de transações. Essa granularidade permite decidir o nível de verificação exigido em cada momento, equilibrando segurança e experiência do usuário.
Na prática, transações de baixo risco passam de forma invisível, enquanto situações atípicas acionam etapas adicionais de verificação. Esse modelo permite aprovar até 90% das transações legítimas sem fricção, protegendo contra engenharia social e fraudes sofisticadas. A defesa não se limita ao início da jornada, mas acompanha o cliente de forma transparente, assegurando proteção em todas as interações críticas.
Impacto econômico e escala
No Brasil, a plataforma cobre 96% da população economicamente ativa e, em 2025, evitou mais de R$ 23 bilhões em perdas por fraudes. Para o executivo Luis Felipe Monteiro, CEO Latam da Unico, é justamente essa escala que retroalimenta a inteligência do sistema e que diferencia empresas brasileiras na disputa global. A expansão internacional da Unico parte desse aprendizado, estando presente em mais de 20 países e 23 segmentos, com crescimento de 130% na receita internacional no primeiro trimestre de 2026.
Implicações para CISOs e governança
Para profissionais de segurança da informação, o caso brasileiro oferece um modelo de referência sobre como transformar pressão de ameaças em inovação de segurança. A adoção de modelos de confiança contínua exige integração profunda entre equipes de segurança, operações e produto, garantindo que a governança de risco seja parte do fluxo de trabalho diário. A capacidade de manter controle soberano sobre políticas de risco, sem depender exclusivamente de terceiros, torna-se um diferencial competitivo crucial em um mercado globalizado.
Perguntas frequentes
Qual a diferença entre autenticação pontual e confiança contínua? A autenticação pontual valida a identidade apenas no início da sessão, enquanto a confiança contínua reavalia o risco em tempo real durante toda a jornada do usuário. Como a IA impacta as fraudes? A IA permite a replicação de biométria e comportamentos, exigindo defesas baseadas em análise comportamental e não apenas em credenciais estáticas. Qual o impacto econômico? A prevenção de fraudes no Brasil evitou R$ 23 bilhões em perdas em 2025, demonstrando o valor tangível da segurança proativa.