Em exclusiva ao TI Inside no Cybersecurity Forum, realizado em 9 de março, Fernanda Nogueira, Diretora Jurídica da TM1 Brand Experience, detalhou a importância da integração do Zero Trust para a governança de dados e compliance. Na entrevista, a executiva destaca a confluência das questões jurídicas com a tecnologia dentro das empresas e que a política de confiança zero é cada vez menos um diferencial competitivo, e mais uma exigência.
Descoberta e escopo
A integração do Zero Trust na governança de dados deixou de ser uma opção para se tornar uma necessidade crítica para empresas que buscam conformidade regulatória e proteção de ativos digitais. Fernanda Nogueira enfatizou que a política de confiança zero não se limita mais somente às legislações, mas também aos clientes e parceiros das companhias, o que exige uma adaptação do mercado. A governança de dados, sob essa ótica, passa a ser um pilar central da estratégia de segurança corporativa.
Vetor e exploração
O modelo Zero Trust opera sob a premissa de 'nunca confiar, sempre verificar', o que significa que nenhum usuário ou dispositivo, mesmo dentro da rede corporativa, é implicitamente confiável. Isso é crucial para a proteção de dados sensíveis, pois limita o movimento lateral de atacantes que possam ter comprometido credenciais. A implementação eficaz requer uma reavaliação de todos os acessos e permissões dentro da infraestrutura de TI.
Evidências e limites
A adoção do Zero Trust enfrenta desafios de complexidade e custo, especialmente em ambientes legados. No entanto, os benefícios em termos de redução de superfície de ataque e melhoria na visibilidade de tráfego superam as dificuldades iniciais. A conformidade com regulamentações como a LGPD é facilitada pela capacidade de rastrear e controlar quem acessa quais dados e quando.
Impacto e alcance
O impacto do Zero Trust na governança de dados é profundo, afetando desde a segurança de endpoints até a proteção de dados em nuvem. Empresas que adotam essa abordagem demonstram maior resiliência a incidentes de segurança e maior confiança por parte de seus stakeholders. A integração com processos jurídicos e de compliance é essencial para garantir que a segurança técnica esteja alinhada com as obrigações legais.
Medidas de mitigação recomendadas
Para implementar o Zero Trust, as organizações devem começar mapeando seus fluxos de dados e identificando os ativos mais críticos. A segmentação de rede, a autenticação multifator (MFA) e a monitorização contínua de dispositivos são passos fundamentais. Além disso, a educação dos colaboradores sobre as práticas de segurança é vital para o sucesso da implementação.
Implicações regulatórias (LGPD)
No contexto da LGPD, o Zero Trust ajuda as empresas a demonstrar 'accountability' e a garantir a segurança dos dados pessoais. A capacidade de controlar e auditar o acesso a dados é um requisito chave para a conformidade. A governança de dados, apoiada pelo Zero Trust, permite que as empresas respondam rapidamente a solicitações de titulares e relatórios de incidentes.
O que os CISOs devem fazer imediatamente
Os CISOs devem priorizar a integração do Zero Trust em suas estratégias de governança de dados. Isso envolve a colaboração com equipes jurídicas e de compliance para alinhar os controles técnicos com as exigências legais. A implementação gradual, começando pelos ativos mais críticos, pode ajudar a gerenciar o risco e o custo durante a transição.