Contexto e relevância
O relatório State of Application Strategy (SOAS) 2026, divulgado pela F5, revela que a inteligência artificial (IA) ultrapassou a fase experimental e se tornou uma carga de trabalho em produção que exige o mesmo rigor operacional que qualquer sistema de missão crítica. A pesquisa, baseada em entrevistas com 1.100 líderes de TI e de cibersegurança do mundo e do Brasil, destaca que 88% das organizações enfrentaram desafios de segurança relacionados à IA.
Este dado é alarmante para CISOs e executivos de risco, pois indica que a rápida adoção de IA não foi acompanhada por controles de segurança adequados. A segurança de IA deixou de ser um tópico secundário para se tornar um desafio central de governança e controle, exigindo novas abordagens para proteger infraestruturas críticas.
Desafios de segurança identificados
O relatório aponta que a segurança de IA é agora um desafio de governança e controle. As organizações estão enfrentando dificuldades para gerenciar os riscos associados à inferência de IA, que se tornou a atividade dominante de IA em 77% das empresas. Isso inclui a proteção de modelos, dados de treinamento e inferências contra ataques adversariais, vazamentos de dados e uso indevido.
Além disso, 98% das organizações estão se preparando para a IA agêntica — sistemas autônomos que precisam de identidades, permissões e proteções, assim como usuários humanos. Isso desloca o perímetro de segurança para as camadas de prompt, token e identidade, tornando insuficientes os modelos tradicionais de segurança de rede.
Implicações regulatórias e LGPD
No contexto brasileiro, a adoção de IA traz implicações diretas para a conformidade com a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). O relatório destaca que 93% das empresas operam em múltiplas nuvens e 86% distribuem aplicações em ambientes híbridos multicloud, o que aumenta a complexidade da governança de dados.
A necessidade de proteger dados pessoais processados por sistemas de IA é crítica. As organizações devem garantir que os modelos de IA não violem a privacidade dos usuários e que os dados utilizados para treinamento e inferência estejam em conformidade com as regulamentações locais e internacionais.
Recomendações para CISOs
Para enfrentar os desafios de segurança de IA, o relatório sugere as seguintes recomendações:
- Governança unificada: Implementar uma estratégia unificada de entrega, segurança e governança em todos os ambientes onde a IA é executada.
- Observabilidade: Investir em observabilidade para monitorar o comportamento dos modelos de IA e detectar anomalias em tempo real.
- Autenticação e controle: Garantir que os sistemas de IA tenham autenticação robusta e controle de acesso granular.
- Proteção de prompts e tokens: Implementar controles de segurança nas camadas de prompt e token para prevenir ataques de injeção e vazamento de dados.
- Parcerias estratégicas: Colaborar com fornecedores de segurança especializados em IA para garantir a proteção adequada das cargas de trabalho.
Conclusão e próximos passos
A maturidade da IA está se tornando rapidamente um indicador mensurável de resiliência operacional e posicionamento competitivo. As organizações que investirem em observabilidade, autenticação e controle unificado em todos os ambientes onde a IA é executada serão as que transformarão a promessa da IA em valor comercial duradouro.
Os CISOs devem priorizar a segurança de IA em suas estratégias de segurança, garantindo que os sistemas de IA sejam seguros, confiáveis e em conformidade com as regulamentações aplicáveis. A falta de ação pode resultar em violações de dados, danos à reputação e penalidades regulatórias.