Um novo estudo realizado pela Cisco em parceria com a Foundry Research revela um cenário crítico para a infraestrutura de TI global, especialmente no Brasil. A pesquisa indica que as empresas têm até três anos para atualizar suas redes a fim de suportar a crescente demanda impulsionada pela Inteligência Artificial (IA). Apesar de a metade das organizações já possuir ampla implementação de IA generativa, a aceleração tecnológica contrasta com a infraestrutura atual, pois 73% das companhias globalmente afirmam que suas redes atingirão limites de capacidade em 24 meses. Entre as corporações brasileiras, esse percentual é de 71%.
O tráfego de rede deve triplicar à medida que a IA Agêntica se expandir
A pesquisa indica que, em até três anos, o tráfego de rede deverá triplicar com a expansão da IA agêntica. Entre as organizações mais avançadas, um terço já opera com implementações amplas dessa tecnologia, enquanto 97% planejam expandir seu uso nos próximos dois anos. Como esses sistemas operam em alta velocidade e geram grandes volumes de dados, eles aumentam a pressão sobre infraestruturas que não foram projetadas para esse nível de demanda.
O Wi-Fi é identificado como um dos gargalos centrais de infraestrutura, sendo o fator que mais impulsiona a necessidade de maior capacidade nas redes das empresas. Embora quase todas as companhias planejem atualizar suas redes nos próximos anos, 91% dos executivos no Brasil apontam as limitações de orçamento como um desafio significativo para essa evolução. O estudo reforça que a modernização da rede deixou de ser uma iniciativa opcional e passou a ser um requisito estratégico para viabilizar o avanço da inteligência artificial nas empresas.
A segurança e a observabilidade se tornam desafios centrais
A segurança e a observabilidade também aparecem como desafios centrais no relatório. No Brasil, 95% dos entrevistados relatam dificuldades para acompanhar a evolução das ameaças, enquanto 88% afirmam já perceber impactos negativos do uso de IA na segurança. Globalmente, esse índice é de 90%. Ao mesmo tempo, cresce uma lacuna de observabilidade, já que as ferramentas tradicionais de monitoramento têm dificuldade para acompanhar os fluxos dinâmicos e intensos de comunicação gerados pela IA Agêntica.
Isso significa que os CISOs e equipes de SOC enfrentarão um cenário onde a superfície de ataque se expande rapidamente, enquanto as ferramentas de detecção permanecem estáticas. A capacidade de identificar anomalias de tráfego geradas por agentes de IA autônomos exigirá uma atualização significativa nas ferramentas de análise de rede e segurança.
Implicações para a governança de segurança no Brasil
O cenário brasileiro apresenta particularidades que exigem atenção especial dos gestores de segurança. Com 74% das organizações afirmando ter a necessidade de atualizar suas redes, o país caminha para um gargalo de infraestrutura que pode comprometer a continuidade dos negócios. A dependência de soluções legadas, combinada com a falta de orçamento para modernização, cria um ambiente propício para incidentes de segurança.
Além disso, a dificuldade em acompanhar a evolução das ameaças impulsionadas pela IA (95% das empresas brasileiras) sugere que a conformidade com a LGPD e outras regulamentações de proteção de dados pode ser comprometida se a infraestrutura de rede não for capaz de garantir a integridade e confidencialidade dos dados em trânsito.
Recomendações para CISOs e equipes de segurança
Diante desses dados, os profissionais de segurança devem adotar as seguintes medidas imediatas:
- Avaliação de Capacidade de Rede: Realizar auditorias completas da infraestrutura de rede atual para identificar pontos de falha antes que o tráfego de IA cause colapsos.
- Investimento em Observabilidade: Adotar ferramentas de monitoramento que suportem análise de tráfego em tempo real e detecção de anomalias baseadas em machine learning.
- Segmentação de Rede: Implementar microsegmentação para isolar cargas de trabalho de IA e limitar o movimento lateral em caso de comprometimento.
- Plano de Resposta a Incidentes: Atualizar os planos de resposta para incluir cenários específicos de ataques impulsionados por IA, que podem operar em velocidades superiores às defesas humanas.
Conclusão e perspectivas futuras
A modernização da rede é um requisito estratégico para viabilizar o avanço da inteligência artificial nas empresas. Sem essa base, as organizações correm o risco de não apenas perder competitividade, mas também expor seus dados a ameaças que não conseguem detectar ou mitigar. O Brasil, com seus índices de dificuldade em acompanhar as ameaças, precisa acelerar seus investimentos em infraestrutura de segurança para não ficar para trás na corrida tecnológica global.