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Estudo revela que 34% das empresas brasileiras restauram sistemas sem verificar integridade após ataques

Estudo da Cohesity mostra que 34% das empresas brasileiras restauram sistemas após ataques sem verificar integridade, aumentando risco de reinfecção e impacto financeiro.

Contexto do estudo e metodologia

Um novo levantamento global da Cohesity, líder em segurança e resiliência de dados impulsionadas por IA, revelou dados alarmantes sobre o comportamento das empresas brasileiras após incidentes cibernéticos. A pesquisa, que envolveu 200 tomadores de decisão de TI e segurança no Brasil, entre 3.200 respondentes globais, destaca uma falha crítica na resposta a incidentes: a restauração cega de sistemas.

O estudo aponta que 34% das empresas no país restauram seus sistemas após um ataque cibernético sem uma investigação completa ou verificação de integridade dos dados. Esse comportamento, descrito como "restauração cega", ocorre devido à pressão para retomar as operações rapidamente, muitas vezes ignorando a possibilidade de que o ambiente ainda esteja comprometido.

O verdadeiro custo do "Day After"

O período imediatamente após um ataque, conhecido como "Day After", é marcado por caos operacional e decisões precipitadas. A pressa para mitigar os danos pode, na verdade, ser o principal gatilho para novos incidentes. Quando os sistemas são colocados de volta no ar sem a garantia de que o ambiente está limpo, os cibercriminosos mantêm suas portas de entrada.

Os dados evidenciam que o impacto nos negócios é severo. 37% das empresas no Brasil registraram perda de clientes após incidentes. 73% das empresas de capital aberto no país precisaram revisar suas orientações financeiras e projeções de resultados. 80% dessas organizações listadas em bolsa relataram impacto observável no preço de suas ações.

Gustavo Leite, vice-presidente da Cohesity para a América Latina e Caribe, alerta: "O desespero para retomar as operações e estancar o prejuízo imediato está cegando as empresas. Quando mais de um terço das organizações no Brasil restaura seus sistemas sem verificar a integridade do ambiente, elas não estão se recuperando do ataque; elas estão apenas apertando o botão de pausa".

Fragmentação tecnológica aumenta as falhas de segurança

O estudo aponta que a raiz da ineficiência na recuperação está na fragmentação das ferramentas e na falta de padrões globais. Embora cerca de dois terços das empresas no Brasil garantam que seus dados confidenciais tenham backup, pouco mais da metade aplica políticas consistentes globalmente.

As lacunas que impedem uma recuperação segura incluem:

  • Falta de visibilidade: Menos da metade faz backup de todas as cargas de trabalho ou depende de uma única plataforma, limitando a consistência entre os ambientes.
  • Baixa adoção de Clean Rooms: Apenas 54% utilizam ambientes isolados (salas limpas) para a investigação de incidentes, remediação e recuperação segura.
  • Backups vulneráveis: Menos da metade (44%) aplica a imutabilidade (dados que não podem ser alterados ou apagados) para todos os seus dados de backup, tornando as próprias cópias de segurança alvos fáceis.

Maturidade cibernética no Brasil

O barômetro de resiliência da Cohesity revela que apenas 7% das organizações no Brasil demonstram capacidades maduras e integradas, sendo consideradas verdadeiramente "prontas para o risco". A maioria das empresas brasileiras continua concentrando seus investimentos em prevenção, proteção e detecção. Comparativamente, menos recursos são direcionados para a resposta e a recuperação verificada, criando uma curva de maturidade desequilibrada.

A detecção de ameaças também se mostra um gargalo processual. Embora metade das empresas brasileiras identifique os ataques automaticamente por meio de ferramentas de segurança, 40% dos alertas ainda exigem verificação manual antes de qualquer ação ser tomada, evidenciando uma dependência do fator humano no momento de maior criticidade.

Recomendações para CISOs e executivos

Para melhorar a resiliência cibernética, as organizações devem adotar uma abordagem sistemática que otimize a postura de risco. Isso exige a unificação do backup e da recuperação em uma única plataforma inteligente, protegida pelos princípios de Zero Trust.

As recomendações incluem:

  • Investimento em Resiliência: Alocar orçamento específico para resposta e recuperação, não apenas prevenção.
  • Verificação de Integridade: Implementar processos obrigatórios de verificação de integridade antes de restaurar sistemas críticos.
  • Backups Imutáveis: Garantir que todos os backups sejam imutáveis para prevenir a criptografia por ransomware.
  • Isolamento de Investigação: Utilizar ambientes isolados para análise forense antes da recuperação.

Implicações regulatórias e LGPD

A restauração de sistemas sem verificação pode violar requisitos de proteção de dados da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). Se dados corrompidos ou comprometidos forem restaurados, a organização pode não estar em conformidade com os princípios de segurança e integridade exigidos pela lei.

Além disso, a falta de resiliência pode resultar em multas e sanções caso a organização não consiga demonstrar que tomou medidas adequadas para proteger os dados dos titulares. A governança de segurança deve incluir a resiliência como um KPI crítico, alinhando a urgência da área de negócios com a segurança de devolver para a rede apenas dados 100% íntegros e verificados.


Baseado em publicação original de TI Inside
Publicado pela Redação Hack Alerta com base em fontes externas citadas e monitoramento editorial do Hack Alerta. Para decisões técnicas, operacionais ou jurídicas, confirme sempre os detalhes na fonte original.