Introdução
Um ator de ameaças chinês utilizou um agente de inteligência artificial autônomo, o Hermes Agent, impulsionado pelo modelo DeepSeek, para realizar ciberataques contra servidores expostos na internet. Esta campanha marca um avanço significativo no uso de IA ofensiva, onde o agente é capaz de identificar alvos, pesquisar exploits e lançar ataques com intervenção humana mínima. A descoberta foi feita pela Unit42, que analisou o ambiente de trabalho do atacante que foi acidentalmente exposto.
Como o Hermes Agent Funciona
O Hermes Agent atua como uma estrutura operacional, fornecendo acesso ao terminal, um sistema de habilidades e controle de comando via Telegram. O modelo DeepSeek serve como o motor de raciocínio, avaliando alvos, gerando comandos e decidindo onde focar os ataques. O agente foi configurado com habilidades personalizadas para contornar restrições de modelos, explorar serviços web não autenticados e pesquisar ativos conectados à internet.
Alvos e Técnicas
O agente focou inicialmente em sistemas Langflow e n8n expostos, mas também utilizou ferramentas tradicionais contra dispositivos Citrix NetScaler, notebooks Marimo, servidores Apache Tomcat e endpoints VPN. Embora os ataques autônomos não tenham comprometido totalmente os alvos pretendidos, a operação mais ampla resultou em roubo de dados confirmado e execução de comandos. O agente foi capaz de mudar de direção independentemente após falhas iniciais, demonstrando autonomia operacional.
Riscos da Infraestrutura Exposta
A campanha destacou a importância de proteger aplicações expostas na internet. O agente explorou falhas em sistemas de automação e gerenciamento de fluxo de trabalho. A exposição acidental do ambiente de trabalho do atacante forneceu aos pesquisadores insights valiosos sobre as ferramentas e técnicas utilizadas. Isso reforça a necessidade de segmentação de rede e autenticação rigorosa para serviços expostos.
Recomendações para Executivos
As organizações devem aplicar patches rapidamente para aplicações expostas na internet e exigir autenticação em formulários de fluxo de trabalho públicos. As equipes de segurança devem revisar logs para detectar varreduras incomuns e conexões de saída de sistemas que não deveriam iniciá-las. Inventários de ativos devem ser verificados para detectar implantações de Langflow, n8n e NetScaler alcançáveis externamente.
Análise Técnica Detalhada
O agente utilizou scripts Python para enumerar ativos na internet e procurou por exploits públicos. Ele comparou números de implantação e disponibilidade de exploits em 10 famílias de produtos antes de selecionar o n8n. O agente verificou cerca de 100 endereços n8n e identificou três versões afetadas. A exploração falhou porque os endpoints de formulário expostos exigiam autenticação, mas a margem de falha estreita é uma preocupação para os defensores.
Conclusão
A campanha do Hermes Agent demonstra que a IA autônoma é operacionalmente viável e representa uma ameaça crescente. À medida que os atacantes adotam ferramentas de IA, as defesas devem evoluir para detectar e mitigar esses ataques automatizados. A governança de IA e a segurança de infraestrutura são críticas para proteger contra essas ameaças emergentes.
Perguntas Frequentes
- O que é o Hermes Agent? É um agente de IA autônomo usado por atacantes para realizar ciberataques.
- Qual é o risco principal? A capacidade de realizar ataques com intervenção humana mínima, aumentando a escala e a velocidade.
- Como se proteger? Aplique patches, exija autenticação e monitore logs para atividades incomuns.