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Medo de fraudes com inteligência artificial atinge 82% da população no Sudeste

Pesquisa Febraban revela que 82% da população do Sudeste teme fraudes com IA, destacando a necessidade de regulação e conscientização sobre deepfakes e golpes.

Com o tema já incorporado ao repertório dos brasileiros, a inteligência artificial tem provocado visões com sentimentos diversos entre a população. Uma das maiores inquietações com o uso da tecnologia na região Sudeste são as fraudes, golpes e vídeos falsos: 82% acham esse tipo de prática muito preocupante, superando a percepção de IA em deepfakes influenciando eleições (76%) e também acima de outra consequência indesejada, o impacto ambiental dos datacenters (59%).

Percepção de risco e deepfakes

Os dados inéditos são da 19ª edição da Pesquisa Observatório Febraban, realizada pelo IPESPE, no início de junho, nas cinco regiões do país. O objetivo do levantamento foi trazer um panorama abrangente sobre o grau de conhecimento e familiaridade dos brasileiros com a inteligência artificial.

No recorte referente ao Sudeste, 93% das pessoas disseram já ter ouvido falar de IA, em um nível pouco acima da média nacional (92%); os que afirmaram conhecer bem a ferramenta na região somam 36%, enquanto 69% relatam que já tiveram com certeza algum contato com a tecnologia. Os que disseram já ter utilizado a IA chegam a 69%. Os que não a utilizam alegam principalmente o medo de errar ou receber notícias falsas (25%) ou não saber como usar (20%).

Padrões de uso e vulnerabilidade

Entre os principais usos mencionados, o campeão é a busca de informações e esclarecimento de dúvidas (62%), seguida de longe pela criação de vídeos e imagens (14%) e ajuda nos estudos (9%). A principal vantagem esperada com a IA é o ganho de tempo (40%), seguido do aprendizado de coisas novas (30%).

Diante de todas essas possibilidades, a inteligência artificial é recebida hoje mais com preocupação (30%) do que com entusiasmo (27%). A percepção de risco elevada indica que a sociedade está ciente das ameaças potenciais, mas ainda carece de ferramentas de defesa eficazes contra a engenharia social impulsionada por IA.

Regulação e marco legal da IA

“A pesquisa traz um cenário compatível com o estágio atual do debate no país. Ainda estamos discutindo um marco legal específico para a inteligência artificial, e órgãos como a ANPD, a Autoridade Nacional de Proteção de Dados, vêm testando instrumentos regulatórios voltados à IA e à proteção de dados”, ressalta o sociólogo e cientista político Antonio Lavareda, presidente do Conselho Científico do IPESPE.

A regulação é um ponto crítico para mitigar os riscos de fraudes. A falta de um marco legal claro pode dificultar a responsabilização de atores mal-intencionados que utilizam IA para criar deepfakes ou automatizar golpes em larga escala.

Implicações para segurança corporativa

Para as empresas, o aumento do medo de fraudes com IA sinaliza a necessidade de investir em treinamento de conscientização de segurança. Funcionários e clientes devem ser educados sobre os sinais de golpes baseados em IA, como áudios clonados e mensagens personalizadas geradas por modelos de linguagem.

A segurança da informação deve incorporar verificações de autenticidade de mídia e autenticação multifator robusta para combater a supressão de identidade. A confiança digital é um ativo crítico que precisa ser protegido contra a erosão causada por tecnologias de IA maliciosa.

Como mitigar riscos de engenharia social

As organizações devem adotar políticas de verificação de identidade para transações sensíveis, utilizando canais secundários para confirmar solicitações. A implementação de soluções de detecção de deepfakes e análise de comportamento de usuários pode ajudar a identificar tentativas de fraude em tempo real.

A colaboração entre setor público e privado é essencial para compartilhar inteligência sobre ameaças e desenvolver padrões de segurança que protejam a sociedade contra o uso indevido da inteligência artificial.


Baseado em publicação original de TI Inside
Publicado pela Redação Hack Alerta com base em fontes externas citadas e monitoramento editorial do Hack Alerta. Para decisões técnicas, operacionais ou jurídicas, confirme sempre os detalhes na fonte original.