Relatório Fortinet revela crescimento alarmante
De acordo com o novo Relatório Global de Paisagem de Ameaças 2026 da Fortinet, o número de vítimas confirmadas de ransomware no mundo saltou para 7.831 em 2025, um aumento de aproximadamente 1.600 vítimas registradas no relatório do ano anterior. Isso representa um aumento de 389% ano a ano, um crescimento que reflete o quanto as ferramentas criminais impulsionadas por IA mudaram o jogo para os atacantes.
Esse crescimento acentuado não aconteceu por acaso. A disponibilidade de ferramentas de crime prontas para uso, como WormGPT, FraudGPT e BruteForceAI, tornou mais fácil do que nunca para cibercriminosos lançar ataques sofisticados sem exigir habilidades técnicas profundas. Essas ferramentas são vendidas abertamente em mercados da dark web, dando até mesmo a atores de ameaças de baixo nível acesso a capacidades que anteriormente eram limitadas a grupos de hackers avançados.
Como a IA impulsiona a cadeia de ataque
Uma das principais impulsionadoras por trás do aumento do ransomware é o crescimento explosivo de malware coletor de credenciais e o ecossistema da dark web construído em torno dele. A inteligência FortiRecon revelou que os logs de coletor agora dominam a atividade de banco de dados da dark web, representando 67,12% de todos os conjuntos de dados anunciados e compartilhados, muito à frente de combolists em 16,47% e credenciais vazadas em apenas 5,96%.
Esse sinal indica que os atacantes se afastaram de simples vazamentos de senhas e voltaram para pacotes de dados mais ricos e imediatamente utilizáveis. Malware coletor como RedLine, Lumma e Vidar infecta silenciosamente os sistemas, colhendo não apenas nomes de usuário e senhas, mas também sessões de navegador completas, cookies salvos, dados de preenchimento automático e tokens armazenados.
A IA agêntica acelerou ainda mais esse processo, permitindo que os atacantes automatizem a classificação e exploração de conjuntos de dados roubados em escala. O relatório de 2026 observa um aumento adicional de 79% na disponibilidade de logs de coletor em comparação com 2025, construindo sobre o pico de 500% já registrado no ano anterior.
Tempo de exploração reduzido drasticamente
O relatório também descobriu que a janela de tempo para exploração (TTE) encolheu dramaticamente. Onde dados anteriores apontavam para um TTE médio de 4,76 dias, o FortiGuard Labs agora registra janelas de TTE tão curtas quanto 24 a 48 horas para vulnerabilidades críticas. Em um caso real, tentativas de exploração ativa começaram dentro de horas do anúncio público da vulnerabilidade React2Shell, destacando o quão rápido os atacantes podem agir quando a IA acelera seus passos de reconhecimento e weaponização.
Isso significa que as organizações têm uma janela de oportunidade extremamente curta para aplicar patches e mitigar riscos. A expectativa de manter software e sistemas atualizados dentro de 24 a 48 horas após o anúncio de uma vulnerabilidade crítica agora é uma expectativa básica.
Setores e geografia mais afetados
O setor de manufatura suportou o maior fardo, com 1.284 vítimas confirmadas de ransomware, seguido por serviços empresariais com 824 e varejo com 682. Geograficamente, os Estados Unidos registraram a maior concentração com 3.381 vítimas, seguidos pelo Canadá com 374 e Alemanha com 291.
Esses números refletem onde grandes volumes de dados sensíveis e operações críticas tornam as organizações os alvos mais atraentes e financeiramente recompensadores. A manufatura é particularmente vulnerável devido à sua dependência de sistemas operacionais e redes industriais que muitas vezes não são atualizadas com a mesma frequência que sistemas corporativos.
Medidas de mitigação recomendadas
As organizações são fortemente aconselhadas a auditar e rotacionar credenciais regularmente, implementar autenticação multifator resistente a phishing e monitorar sinais de atividade de infostealer em todas as endpoints. As equipes de segurança devem tratar a exposição de logs de coletor como um incidente ativo, não como um alerta de baixa prioridade, e implantar ferramentas de detecção comportamental capazes de identificar atividade anormal de sessão.
Além disso, é crucial implementar segmentação de rede para limitar o movimento lateral e garantir que backups estejam isolados e imutáveis para prevenir criptografia por ransomware. A adoção de uma postura de Zero Trust pode ajudar a reduzir a superfície de ataque e limitar o impacto de um comprometimento inicial.
Implicações para CISOs e Executivos
Para CISOs e executivos, este relatório destaca a necessidade de investir em ferramentas de detecção baseadas em IA e em treinamento de conscientização de segurança. A ameaça de ransomware evoluiu de um problema técnico para um risco estratégico de negócios que pode paralisar operações inteiras. A governança de segurança deve incluir planos de resposta a incidentes robustos e testes regulares de recuperação de desastres.
Perguntas frequentes
Qual é o principal vetor de ataque? O roubo de credenciais via malware coletor é o principal vetor, facilitado por ferramentas de IA.
Como proteger contra ransomware? Mantenha backups isolados, aplique patches rapidamente e implemente autenticação multifator.
Quem é o alvo principal? O setor de manufatura e grandes empresas nos Estados Unidos são os alvos mais frequentes.