Contexto do relatório de fraude
Um novo relatório da Serasa Experian, líder em soluções antifraude no Brasil, revelou que a Geração Z se tornou o grupo demográfico mais afetado por tentativas de fraude de identidade no país. No primeiro semestre de 2026, foram registradas cerca de 505 mil ocorrências envolvendo esse público, representando um aumento de 27,3% em relação ao mesmo período do ano anterior. Este dado desafia a percepção tradicional de que fraudes de identidade atingem principalmente consumidores mais velhos.
A expansão da vida financeira e digital dos jovens está criando novos pontos de atenção para a proteção da identidade. À medida que a Geração Z amplia sua participação em jornadas como abertura de contas, solicitação de cartões e contratação de serviços digitais, os criminosos direcionam suas tentativas para esses públicos com maior atividade econômica e digital.
Evolução das tendências de fraude
Embora a Geração Z tenha apresentado o maior volume e avanço mais expressivo, o crescimento da fraude não ficou restrito aos mais jovens. A Geração X aparece logo atrás, com aproximadamente 484 mil tentativas de fraude de identidade no semestre, registrando alta de 19,5%. Entre os Millennials, foram cerca de 389 mil ocorrências, com crescimento de 19,2%.
Esses números indicam que os criminosos acompanham a digitalização das jornadas e as oportunidades de exploração em diferentes momentos da vida do consumidor. A idade, isoladamente, não determina a exposição às tentativas de fraude de identidade, mas sim o nível de atividade digital e financeira.
Metodologia e escopo do levantamento
O levantamento do Mapa da Fraude da Serasa Experian considera exclusivamente ocorrências detectadas durante processos de cadastro e validação de identidade, também chamados de onboarding. Não estão incluídas fraudes transacionais identificadas posteriormente em compras, pagamentos, transferências ou outras movimentações.
Para o recorte geracional, os percentuais foram calculados a partir da soma das categorias disponíveis, incluindo registros classificados como não definido ou não identificado. Essa base corresponde a 2.666.496 ocorrências em 2026, fornecendo uma visão abrangente do cenário de fraude no país.
Riscos associados à digitalização
A entrada da Geração Z no sistema financeiro, com a abertura das primeiras contas, o acesso ao crédito e a contratação de novos serviços, amplia as possibilidades de relacionamento com empresas, mas também cria novos pontos de atenção. Isso não significa que uma geração seja mais vulnerável, mas que os fraudadores acompanham os públicos e as jornadas com maior potencial de exploração.
A digitalização acelerada dos serviços financeiros tem facilitado a vida dos consumidores, mas também aumentou a superfície de ataque para criminosos. A necessidade de validação de identidade em tempo real torna-se crucial para prevenir fraudes antes que ocorram.
Implicações para segurança da informação
Para profissionais de segurança da informação e CISOs, esses dados reforçam a importância de mecanismos de validação robustos capazes de identificar inconsistências desde o primeiro contato entre uma pessoa e uma empresa. A implementação de tecnologias como biometria comportamental, verificação de documentos por IA e análise de risco em tempo real é essencial.
A conformidade com a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) também é um fator crítico. Organizações devem garantir que os dados coletados durante o onboarding sejam protegidos adequadamente e utilizados apenas para as finalidades declaradas, evitando vazamentos que possam ser explorados por fraudadores.
Recomendações para instituições financeiras
As instituições financeiras devem adotar uma abordagem proativa para combater a fraude de identidade. Isso inclui a implementação de controles de segurança em múltiplas camadas, desde a autenticação do usuário até o monitoramento contínuo de transações.
A educação do consumidor também é fundamental. Orientar os jovens sobre práticas seguras de navegação, proteção de senhas e reconhecimento de tentativas de phishing pode reduzir significativamente o risco de fraude. A colaboração entre setor público e privado no compartilhamento de inteligência de ameaças também deve ser incentivada.
Conclusão e perspectivas futuras
O aumento das tentativas de fraude de identidade entre a Geração Z reflete a necessidade de adaptação contínua das estratégias de segurança. À medida que a tecnologia evolui, os criminosos também desenvolvem novas táticas, exigindo que as organizações estejam sempre um passo à frente.
A proteção da identidade digital tornou-se uma prioridade estratégica para empresas e consumidores. Investir em soluções antifraude avançadas e promover a conscientização sobre segurança digital são passos essenciais para mitigar os riscos e garantir a confiança no ecossistema financeiro brasileiro.