O desafio da fraude em ativos digitais
O mercado de ativos digitais no Brasil está em uma fase de consolidação e maturação regulatória, o que traz consigo a necessidade imperativa de infraestrutura robusta para prevenção de ilícitos. A startup Coopfy posiciona-se nesse cenário com uma plataforma de infraestrutura que integra operações bancárias, gestão de ativos, pagamentos, compliance e monitoramento transacional em um único ambiente. O objetivo central é permitir que bancos, fintechs e empresas do setor operem com segurança regulatória desde a origem da transação, eliminando a necessidade de conectar múltiplos fornecedores e sistemas fragmentados.
A fraude em criptoativos tem se tornado um vetor de risco crítico para instituições financeiras e prestadoras de serviços de ativos virtuais (PSAVs). A Coopfy desenvolveu uma solução capaz de realizar processos de KYC (Know Your Customer), KYB (Know Your Business) e KYT (Know Your Transaction) com análise em tempo real. O sistema identifica inconsistências e padrões de risco antes da efetivação das operações, bloqueando transações suspeitas em poucos segundos.
Tecnologia de detecção em tempo real
A plataforma utiliza inteligência artificial para processar grandes volumes de dados transacionais, permitindo a identificação de padrões de comportamento que indicam atividades fraudulentas. Segundo a empresa, desde o início de suas operações, a Coopfy já analisou mais de 2 milhões de operações. A capacidade de processamento rápido é fundamental para o setor, onde a velocidade da transação deve ser equilibrada com a segurança.
O sistema foi projetado para reduzir a exposição de instituições financeiras e empresas de ativos digitais a fraudes e movimentações potencialmente de risco. A análise ocorre antes da conversão dos recursos em ativos digitais, atuando como uma camada de segurança na origem. A solução é flexível e pode ser integrada à estrutura existente de clientes que já utilizam outros provedores para funções específicas, oferecendo um modelo white label.
Conformidade regulatória e resoluções do BC
O movimento da Coopfy acompanha o avanço do marco regulatório brasileiro para ativos digitais. Com as Resoluções nº 519, 520 e 521 do Banco Central em vigor desde fevereiro de 2026, as PSAVs passaram a operar sob autorização e supervisão direta da autoridade monetária. O prazo para protocolar pedidos de autorização é até 30 de outubro de 2026, o que exige que as empresas estejam preparadas com infraestrutura de compliance robusta.
A plataforma oferece mecanismos adicionais de validação, rastreabilidade e gestão de riscos, permitindo que bancos e fintechs tenham maior visibilidade sobre operações realizadas por empresas do segmento. A conformidade nativa significa que toda operação realizada sobre a infraestrutura, desde movimentações bancárias até transações em blockchain, já nasce submetida aos mecanismos de validação e prevenção a ilícitos.
Entre as obrigações de compliance suportadas estão Decripto, ACAM 220, informe de clientes e informe de saldos. A solução busca reduzir o tempo e os custos necessários para que empresas desenvolvam internamente uma infraestrutura compatível com as exigências regulatórias do mercado de ativos digitais.
Implicações para CISOs e governança
Para profissionais de segurança da informação, a integração de compliance e segurança em uma única camada de infraestrutura representa uma mudança de paradigma na gestão de riscos de ativos digitais. A fragmentação tecnológica tradicional, onde uma empresa contrata um fornecedor para banco, outro para compliance e outro para monitoramento blockchain, cria pontos cegos e aumenta a superfície de ataque.
A Coopfy propõe reunir toda essa infraestrutura em um único ambiente, onde a conformidade faz parte da operação desde o primeiro momento. Isso simplifica a operação e reduz a complexidade de gerenciamento de segurança. A visibilidade sobre operações é um requisito cada vez mais crítico para a integração entre empresas cripto e instituições financeiras tradicionais.
Infraestrutura e segurança operacional
A infraestrutura da Coopfy reúne gestão de wallets multiblockchain, gestão bancária multibancos, swap de saldos na rede Tron, processamento de pagamentos com conversão automática de ativos, emissão de contratos digitais e geração de relatórios regulatórios. A empresa projeta processar mais de R$ 5 bilhões em operações até o fim de 2026.
O futuro do setor depende da capacidade de construir infraestrutura capaz de conectar inovação e conformidade. A evolução do mercado deve gerar uma nova demanda por infraestrutura especializada, onde processos, governança, monitoramento e segurança são tão importantes quanto a criação de novos produtos financeiros.
Perguntas frequentes
- Como a Coopfy detecta fraudes? Utiliza IA para análise em tempo real de KYC, KYB e KYT, identificando padrões de risco antes da efetivação.
- É obrigatório para PSAVs? Sim, as resoluções do BC exigem mecanismos robustos de gestão de riscos e compliance.
- Quais bancos são parceiros? A Finservices atua como banco parceiro, viabilizando a camada bancária das operações.