Relatório recente aponta que o valor recebido por endereços ilícitos em cripto atingiu pelo menos US$154 bilhões em 2025, um salto que analistas classificam como mudança estrutural no ecossistema on‑chain.
Resumo executivo
Dados compilados pela Chainalysis e divulgados pelo Cyber Security News mostram crescimento de 162% frente a 2024. O salto foi impulsionado, segundo o relatório, pela entrada de atores estatais no uso de infraestrutura de criptomoedas para evasão de sanções e por redes criminosas profissionalizadas que oferecem serviços de lavagem e infraestrutura como serviço.
O que o relatório reporta
O documento destaca três vetores centrais:
- Participação de atores estatais: exemplificada pela criação do token ruble‑lastreado A7A5, lançado em fevereiro de 2025, que movimentou mais de US$93,3 bilhões em menos de um ano.
- Dominância de stablecoins: 84% do volume ilícito em 2025 foi transacionado em stablecoins, pela facilidade de movimentação, menor volatilidade e ampla aceitação em exchanges e serviços de conversão.
- Profissionalização das cadeias de lavagem: grupos oriundos de vários países — com menções a esquemas ligados à Coreia do Norte, Irã e redes chinesas — operaram como provedores de serviços financeiros ilícitos, incluindo “laundering‑as‑a‑service”.
Casos e números relevantes
Chainalysis identificou que hackers ligados à Coreia do Norte foram responsáveis por mais de US$2 bilhões em roubos em 2025, incluindo o exploit de fevereiro contra a Bybit de cerca de US$1,5 bilhão — o maior ataque já registrado em criptomoedas, segundo o texto. Redes proxy iranianas movimentaram cerca de US$2 bilhões em operações de lavagem por wallets identificadas em designações de sanções. Além disso, surgiram relatos de organizações chinesas oferecendo serviços de ocultação e conversão de ativos em escala.
Implicações práticas
O avanço descrito no relatório tem implicações em múltiplas frentes:
- Regulatória: órgãos de controle e autoridades financeiras enfrentam desafios maiores para rastrear e sancionar fluxos, especialmente quando Estados‑nação usam infraestruturas on‑chain.
- Operacional: exchanges e provedores de serviços cripto precisarão reforçar controles KYC/AML e aprimorar integração com ferramentas de análise on‑chain.
- Segurança: equipes de resposta a incidentes e analistas de fraude devem ajustar playbooks para distinguir operações criminais sofisticadas de atividade legítima de alto volume.
O que falta saber
O relatório fornece números agregados e amostragens de casos, mas não detalha metodologias de atribuição completas para todas as operações estatais citadas, nem lista todos os endereços associados a cada incidente. A Chainalysis indica que a categoria “nações‑estado” inclui um conjunto heterogêneo de técnicas e intermediários, o que limita a imputação direta sem evidências técnicas complementares.
Recomendações sintetizadas
Chainalysis e os veículos que reportaram o estudo sugerem medidas práticas: reforçar controles de compliance em exchanges, ampliar cooperação internacional entre reguladores e usar tecnologia de análise on‑chain para mapear cadeias de conversão e camadas de mixers e bridges.
Fonte
Baseado em relatório Chainalysis citado pelo Cyber Security News (autor: Tushar Subhra Dutta).