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CISO precisa assumir papel de executivo de negócio para acompanhar avanço da IA

CISO Global da Gerdau defende que líder de segurança deve atuar como executivo de negócio para governar riscos de IA eficazmente.

Governança de segurança na era da inteligência artificial

A velocidade com que a inteligência artificial chega às empresas amplia o desafio de equilibrar inovação, segurança e governança. Para Vitor Sena, CISO Global da Gerdau, a resposta não está em criar controles rígidos e uniformes para todas as aplicações, mas em estruturar uma governança capaz de considerar diferentes níveis de risco e necessidades do negócio. Durante o evento Mind The Sec 2026, o executivo defendeu uma mudança fundamental no papel dos líderes de segurança.

A evolução da IA reforça uma transformação já discutida internamente: a aproximação entre segurança e negócio. Para isso, o CISO precisa se posicionar como executivo de negócio, e não apenas como responsável pela tecnologia. Essa mudança altera a forma como a segurança é apresentada internamente, conectando vulnerabilidades e controles a processos e prioridades corporativas.

Traduzir o técnico para o negócio

Sena ressalta que o profissional de segurança ainda precisa dominar fundamentos da área, mas deve conseguir traduzir conceitos complexos para uma linguagem compreensível por executivos e áreas de negócio. O skill mandatório é a capacidade de comunicar esse tipo de tecniquês em uma linguagem clara, que o negócio e que o executivo entenda.

Para o executivo, essa comunicação também ajuda a reduzir a percepção de que a segurança é uma área excessivamente burocrática, aproximando as discussões de risco das decisões que efetivamente precisam ser tomadas pela organização. Ao mesmo tempo, conhecer profundamente o negócio protegido é fundamental para definir a medida adequada de segurança.

A governança na velocidade da IA

A expansão da inteligência artificial torna essa aproximação ainda mais relevante. Com diferentes aplicações e níveis de risco surgindo dentro das organizações, a segurança precisa acompanhar a velocidade da experimentação sem abrir mão dos critérios necessários para proteger o negócio. Na visão de Sena, o desafio é justamente construir esse equilíbrio: uma governança suficientemente estruturada para orientar a adoção da IA, mas flexível para responder às particularidades de cada aplicação.

Nesse modelo, o CISO deixa de atuar apenas como uma camada de controle e passa a participar da construção das condições para que a inovação avance de forma compatível com os riscos que a empresa está disposta a assumir. A proposta é evitar que a governança fique atrás da velocidade de adoção da tecnologia e das necessidades do negócio.

Implicações regulatórias e LGPD

No Brasil, a implementação de sistemas de IA traz desafios adicionais relacionados à conformidade com a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). O CISO deve garantir que os modelos de aprendizado de máquina respeitem os princípios de finalidade, adequação e necessidade no tratamento de dados pessoais. Falhas na governança de IA podem resultar em vazamentos de dados sensíveis, multas pesadas e danos reputacionais irreparáveis.

A responsabilidade sobre os dados alimentados nos modelos e as saídas geradas por eles deve ser claramente definida. Isso inclui a validação de fontes de treinamento e a auditoria contínua dos resultados para evitar vieses discriminatórios ou violações de privacidade inadvertidas.

Medidas práticas para liderança de segurança

Para se adaptar a esse novo cenário, os CISOs devem adotar as seguintes ações:

  • Participação estratégica: Incluir representantes de segurança nas reuniões de planejamento de produtos e inovação desde o início.
  • Mapa de riscos de IA: Desenvolver inventários específicos para ativos de inteligência artificial, classificando-os por criticidade e sensibilidade de dados.
  • Parcerias transversais: Trabalhar em conjunto com jurídico, compliance e operações para definir quais riscos a organização aceita assumir.
  • Capacitação contínua: Investir em treinamento para entender as capacidades e limitações das tecnologias de IA adotadas.

O que fazer agora

A pergunta mais importante para as empresas não é apenas sobre a tecnologia, mas sobre os mecanismos existentes para garantir que o modelo esteja se comportando da maneira que o negócio precisa. Confiabilidade em inteligência artificial não é algo estático, mas algo que precisa ser medido continuamente. Mais do que o modelo utilizado, é essa disciplina de testar, monitorar e aprimorar continuamente que determina se uma empresa está realmente preparada para colocar a IA diante de seus clientes.


Baseado em publicação original de TI Inside
Publicado pela Redação Hack Alerta com base em fontes externas citadas e monitoramento editorial do Hack Alerta. Para decisões técnicas, operacionais ou jurídicas, confirme sempre os detalhes na fonte original.