Hack Alerta

Violações de dados ligadas à IA crescem 61% e expõem falhas de governança

Incidentes de segurança envolvendo IA crescem 61% segundo IBM. 92% das vítimas não tinham controles de acesso e 68% não possuíam políticas de governança, expondo falhas críticas na proteção de dados sensíveis.

Um novo relatório da IBM revela um aumento drástico nas violações de dados associadas ao uso de inteligência artificial (IA) nas organizações. Os incidentes envolvendo modelos de IA saltaram de 13% para 21% do total de violações em um único ciclo de pesquisa, representando um crescimento de 61%. O dado aponta para uma lacuna crítica na governança de dados corporativa, onde a adoção tecnológica tem superado a implementação de controles de segurança adequados.

Governança de IA: o gargalo da segurança

Dentre as organizações que sofreram incidentes relacionados à IA, 92% não possuíam controles adequados de acesso à tecnologia. Ainda mais alarmante é o fato de que 68% dessas empresas não tinham qualquer política formal de governança de IA. Isso demonstra que a velocidade de implementação de soluções generativas e analíticas não foi acompanhada pela maturidade necessária para gerenciar os riscos inerentes a essas ferramentas.

André Xavier, CEO da BHS, empresa especializada em segurança da informação no setor financeiro, observa que práticas já consolidadas em ambientes altamente regulados estão começando a ganhar relevância em projetos de IA. "A tecnologia pode mudar a forma de consultar e processar o dado, mas os critérios sobre quem pode acessá-lo precisam continuar existindo", afirma Xavier, destacando a necessidade de estender a lógica de rastreabilidade e controle de acesso típica do setor financeiro para outras áreas corporativas.

Riscos em processos internos e documentos confidenciais

O desafio de segurança muda à medida que a IA passa a participar da criação e manutenção dos próprios sistemas corporativos. Modelos são utilizados agora para desenvolver aplicações, automatizar etapas e modificar processos internos, aproximando a tecnologia de informações sensíveis que antes circulavam apenas entre equipes especializadas. Paulo Cacciari, CEO da Deyel no Brasil, alerta que quanto mais a IA participa desses processos, maior precisa ser a clareza sobre quais informações ela utiliza e quais regras devem ser preservadas.

Nos departamentos jurídicos, por exemplo, a preocupação ganha outra dimensão. Contratos concentram valores, condições comerciais e dados de clientes. Com ferramentas capazes de consultar grandes volumes desses documentos, a permissão de acesso deixa de valer apenas para o arquivo original e precisa acompanhar também as respostas produzidas pela inteligência artificial. Cíntia Oliveira, Country Manager da Webdox no Brasil, explica: "Se um profissional não tem autorização para acessar determinado contrato, uma ferramenta de IA também não pode entregar a ele uma informação retirada daquele documento".

Implicações para a conformidade e LGPD

A ausência de políticas de governança de IA coloca as empresas em risco de não conformidade com a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). O tratamento de dados pessoais por meio de algoritmos sem transparência, consentimento adequado ou mecanismos de auditoria pode resultar em sanções severas. Além disso, a capacidade de execução de tarefas não deve ser o único parâmetro para avaliar uma solução de IA; fatores como rastreabilidade, controle de acesso e previsibilidade tornam-se essenciais para manter a integridade dos dados.

Recomendações para executivos

Para mitigar esses riscos, as organizações devem estabelecer imediatamente:

  • Inventário completo de todos os modelos de IA em uso e suas fontes de dados;
  • Políticas claras de governança de IA alinhadas às normas de proteção de dados;
  • Mecanismos de controle de acesso baseados em função (RBAC) aplicados às interfaces de IA;
  • Processos de auditoria regular para verificar se as respostas da IA respeitam as restrições de privacidade;
  • Capacitação de equipes sobre os riscos de vazamento de dados através de prompts e interações com modelos.

O que fazer agora

Uma demonstração funcional de IA não garante segurança. O desafio é garantir que a tecnologia continue operando de forma consistente, dentro das regras da empresa e sem criar novas brechas quando ganha escala. É necessário investir em histórico, método e previsibilidade para transformar a IA de uma ferramenta de produtividade em um ativo seguro e controlado.


Baseado em publicação original de TI Inside
Publicado pela Redação Hack Alerta com base em fontes externas citadas e monitoramento editorial do Hack Alerta. Para decisões técnicas, operacionais ou jurídicas, confirme sempre os detalhes na fonte original.