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governança de dados e visibilidade tornam-se pilares da segurança na era da ia, aponta pesquisa

Pesquisa da ManageEngine aponta que governança de dados e visibilidade tornam-se pilares da segurança na era da IA, com foco em Shadow AI e conformidade.

Novas prioridades na transformação digital

A rápida adoção da inteligência artificial nas empresas latino-americanas está mudando as prioridades da transformação digital. Se até poucos anos atrás o foco estava na migração para a nuvem e na digitalização de processos, agora a principal preocupação das lideranças passa a ser garantir governança de dados, visibilidade sobre os ambientes de ti e uma postura de cibersegurança capaz de acompanhar a velocidade com que novas tecnologias são incorporadas ao negócio.

Essa é uma das principais conclusões da pesquisa digital transformation landscape latin america 2026, realizada pela manageengine com executivos da região. O levantamento mostra que a ia deixa de ser apenas uma ferramenta de produtividade para se tornar um elemento estratégico da operação, exigindo novos modelos de governança, controle e gestão de riscos.

A nova fronteira da segurança

"O crescimento acelerado das aplicações baseadas em ia também amplia a superfície de ataque das organizações. Ambientes híbridos, múltiplas nuvens, dispositivos distribuídos e aplicações consumidas como serviço tornam mais difícil identificar vulnerabilidades e controlar o fluxo das informações corporativas", explica tonimar dal aba, gerente técnica da manage engine brasil. Para ele, nesse cenário, a visibilidade passa a ser considerada um dos ativos mais importantes da segurança cibernética.

Sem saber onde estão seus dados, quem possui acesso a eles e quais aplicações estão sendo utilizadas pelos colaboradores, as empresas perdem capacidade de resposta diante de ameaças cada vez mais sofisticadas. Mais do que proteger perímetros, as equipes de segurança precisam monitorar continuamente identidades, dispositivos, aplicações e privilégios de acesso para reduzir riscos e garantir conformidade regulatória.

Shadow AI preocupa executivos

Entre os riscos que mais crescem está a chamada shadow ai, caracterizada pelo uso de plataformas de inteligência artificial sem conhecimento ou autorização das áreas de ti e segurança. Na prática, colaboradores utilizam ferramentas públicas para gerar textos, analisar documentos, desenvolver códigos ou produzir relatórios, frequentemente compartilhando informações estratégicas da empresa sem qualquer controle sobre o destino desses dados.

Para a manageengine, esse movimento cria uma nova categoria de vulnerabilidade. Embora a ia aumente significativamente a produtividade, sua utilização sem políticas corporativas pode resultar em vazamento de informações confidenciais, exposição de propriedade intelectual, problemas de conformidade e aumento da superfície de ataque cibernético. O desafio torna-se ainda maior porque a adoção dessas ferramentas acontece em ritmo muito superior à capacidade das organizações de avaliá-las, homologá-las e definir políticas de uso seguro.

Governança de dados estratégica

A pesquisa mostra que a governança de dados passou a ocupar posição central nas agendas de ciós, cisos e líderes de transformação digital. Isso ocorre porque modelos de ia dependem diretamente da qualidade dos dados utilizados para treinamento e operação. Informações desatualizadas, duplicadas, inconsistentes ou sem controle de acesso comprometem não apenas a segurança, mas também a qualidade das decisões produzidas pelos algoritmos.

Nesse contexto, governança significa estabelecer políticas claras para classificação, armazenamento, compartilhamento e ciclo de vida das informações, garantindo que os dados utilizados pela inteligência artificial permaneçam íntegros, auditáveis e em conformidade com legislações como a lgpd. Para muitas organizações, esse ainda é um dos maiores obstáculos da transformação digital.

Visibilidade como diferencial competitivo

Outro aspecto destacado pela pesquisa é que visibilidade operacional deixou de ser apenas uma funcionalidade das ferramentas de gerenciamento de ti para se transformar em requisito estratégico. Empresas capazes de correlacionar informações provenientes de infraestrutura, identidades, aplicações, redes e operações de segurança conseguem identificar comportamentos anômalos com maior rapidez, automatizar respostas e reduzir significativamente o tempo necessário para conter incidentes.

Essa capacidade também fortalece iniciativas de observabilidade, operações de ti baseadas em inteligência e modelos de segurança zero trust, cada vez mais adotados por organizações que convivem com ambientes distribuídos e operações digitais críticas.

Liderança e segurança

O estudo também evidencia que os desafios da ia extrapolam a esfera tecnológica. A responsabilidade sobre dados, segurança e conformidade passa a envolver diretamente a alta administração. A adoção de inteligência artificial exige decisões relacionadas à gestão de riscos, governança corporativa, ética, privacidade e continuidade dos negócios. Por isso, ciós, cisos, cdos e conselhos de administração tendem a atuar de forma cada vez mais integrada na definição das políticas que irão orientar o uso corporativo da ia.

Mais do que impedir a utilização dessas tecnologias, o desafio será criar mecanismos que permitam sua adoção de forma segura, transparente e alinhada aos objetivos estratégicos da organização. A pesquisa da manageengine reforça uma mudança importante na forma como as empresas encaram a transformação digital. Em vez de tratar a segurança como uma barreira à inovação, organizações mais maduras passam a utilizá-la como elemento viabilizador da adoção da inteligência artificial.

O que os CISOs devem fazer

1. Implementar programas de visibilidade de dados e aplicações. 2. Estabelecer políticas claras para uso de ia e shadow ai. 3. Integrar equipes de segurança e compliance nos processos de desenvolvimento de ia. 4. Investir em ferramentas de monitoramento contínuo e observabilidade. 5. Garantir conformidade com lgpd e outras regulamentações de proteção de dados.


Baseado em publicação original de TI Inside
Publicado pela Redação Hack Alerta com base em fontes externas citadas e monitoramento editorial do Hack Alerta. Para decisões técnicas, operacionais ou jurídicas, confirme sempre os detalhes na fonte original.