O financiamento de veículos no Brasil atingiu 7,3 milhões de unidades em 2025, o maior volume registrado nos últimos 14 anos, segundo dados da B3. Esse crescimento robusto do setor automotivo, impulsionado pela necessidade de crédito, traz consigo um desafio estratégico crítico para o ecossistema financeiro: a prevenção à fraude. Em um mercado que reúne instituições financeiras, órgãos públicos, registradoras e consumidores, garantir a confiabilidade das operações tornou-se um imperativo de segurança da informação e governança corporativa.
A Tecnobank, empresa líder na transformação digital de registros de contratos de financiamento de veículos, reforçou suas ações de combate às fraudes ao longo da jornada do crédito. A diretoria da companhia enfatiza que os golpes se tornaram mais sofisticados, explorando vulnerabilidades em diferentes etapas do processo. A estratégia adotada combina tecnologias de validação, rastreabilidade e gestão de garantias para mitigar riscos operacionais e assegurar a conformidade regulatória.
O desafio e a solução
Segundo Sabrina Araújo, diretora de Governança Corporativa da Tecnobank, a prevenção à fraude exige uma visão integrada de todo o processo. "Os golpes ficaram mais sofisticados e passaram a explorar vulnerabilidades ao longo de toda a jornada do crédito. Hoje, não basta confirmar quem é o cliente. É preciso garantir que todas as etapas da operação estejam conectadas, registradas e possam ser verificadas a qualquer momento", comenta a executiva.
O avanço do mercado reforça essa necessidade de investir em tecnologias de combate a fraudes. Mesmo em um cenário de juros elevados, o crédito para aquisição de veículos manteve trajetória de crescimento em 2025. Para a executiva, esse movimento aumenta a importância de tecnologias capazes de combinar agilidade na concessão do crédito com mecanismos robustos de validação, rastreabilidade e gestão das garantias.
Cada tecnologia atua em um tipo diferente de fraude
Embora a inteligência artificial tenha ganhado protagonismo nos últimos anos, ela representa apenas uma das camadas de proteção. O combate às fraudes no financiamento de veículos depende da combinação de diferentes tecnologias, que atuam em momentos distintos da operação.
Na etapa inicial, ferramentas de biometria facial, validação documental e cruzamento de informações ajudam a confirmar a identidade do solicitante e identificar possíveis inconsistências cadastrais antes mesmo da análise de crédito. Essas medidas de autenticação forte são essenciais para prevenir a supressão de identidade, uma das fraudes mais comuns no setor.
Em seguida, plataformas de integração de dados permitem confrontar informações entre instituições financeiras, órgãos reguladores e bases públicas, reduzindo riscos relacionados a documentos adulterados, informações incompatíveis e tentativas de contratação com dados divergentes. A interoperabilidade segura entre sistemas é um pilar fundamental para a detecção de padrões suspeitos.
Outro ponto estratégico é a formalização digital da operação. Soluções como o eContrato e o eGarantia ajudam a automatizar fluxos que antes dependiam de processos manuais, atuando respectivamente no registro eletrônico de financiamentos e na centralização de dados para a recuperação extrajudicial de ativos. O resultado é uma operação com maior rastreabilidade e segurança jurídica, o que otimiza o ciclo de crédito e mitiga significativamente os riscos operacionais.
"Cada tipo de fraude exige uma camada diferente de proteção. Em alguns casos, a biometria é suficiente. Em outros, o que faz diferença é a capacidade de cruzar informações, registrar digitalmente cada etapa do processo e acompanhar toda a jornada da garantia. Quanto mais rastreável é uma operação, menor é o espaço para fraudes", completa Sabrina.
Infraestrutura tecnológica conecta todo o ecossistema do crédito
Uma operação de financiamento de veículos envolve diversos participantes, como instituições financeiras, órgãos de trânsito, registradoras, concessionárias e consumidores. Garantir que todas essas etapas aconteçam de forma sincronizada, segura e em conformidade com a regulamentação tornou-se um dos principais desafios da digitalização do setor.
Nesse contexto, empresas de infraestrutura tecnológica exercem um papel estratégico ao conectar esses diferentes agentes, permitindo que informações sejam compartilhadas de forma padronizada, segura e auditável. Essa camada tecnológica reduz falhas operacionais, fortalece o compliance e aumenta a confiabilidade das operações, sem adicionar burocracia ao processo.
Para a Tecnobank, essa integração também contribui para tornar o crédito mais eficiente.
"Quando todos os participantes do ecossistema trabalham com informações consistentes e processos digitais padronizados, ganham as instituições financeiras, que reduzem riscos operacionais; ganha o consumidor, que tem mais agilidade e segurança; e ganha o mercado como um todo, que passa a operar com mais previsibilidade e confiança", acrescenta Adriana Saluceste, diretora de Tecnologia e Operações da companhia.
Impacto operacional e segurança jurídica
Além de reduzir fraudes, a digitalização também impacta diretamente a eficiência operacional. A automatização de validações, a integração entre sistemas e a gestão digital dos contratos reduzem o tempo de processamento das operações, diminuem retrabalho e ampliam a capacidade das instituições financeiras de escalar suas operações mantendo elevados padrões de segurança.
À medida que o crédito se torna cada vez mais digital, a tecnologia deixará de ser apenas um diferencial competitivo para se consolidar como um requisito básico para a sustentabilidade do mercado. "O futuro do financiamento de veículos passa por operações cada vez mais digitais, mas também cada vez mais seguras. Tecnologias como inteligência artificial, registro eletrônico e gestão digital das garantias tornam os processos mais transparentes, rastreáveis e confiáveis, fortalecendo a prevenção a fraudes ao longo de toda a jornada do crédito", conclui Adriana.
O que os CISOs devem observar
Para profissionais de segurança da informação e CISOs, o caso da Tecnobank ilustra a importância de uma abordagem em camadas para a segurança de transações financeiras. A implementação de biometria facial e validação documental não deve ser vista apenas como uma ferramenta de experiência do usuário, mas como um controle de segurança crítico para autenticação de identidade.
A integração de dados entre instituições financeiras e órgãos públicos exige protocolos de segurança robustos para garantir a confidencialidade e integridade das informações compartilhadas. A rastreabilidade completa das operações é essencial para auditorias e resposta a incidentes, permitindo a reconstrução da cadeia de eventos em caso de suspeita de fraude.
A conformidade regulatória, incluindo a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), deve ser considerada no design das soluções de prevenção à fraude. O tratamento de dados pessoais para validação de identidade e cruzamento de informações deve seguir os princípios de minimização e finalidade, garantindo que os dados sejam utilizados apenas para os fins de segurança e prevenção de fraudes.
Perguntas frequentes
Qual é o principal risco no financiamento de veículos?
O principal risco é a fraude de identidade e a adulteração de documentos, que podem resultar em empréstimos concedidos a pessoas não qualificadas ou em veículos financiados com dados falsos.
Como a biometria ajuda na prevenção de fraudes?
A biometria facial e a validação documental fornecem uma camada adicional de autenticação, garantindo que a pessoa que está solicitando o crédito é realmente quem diz ser, reduzindo o risco de supressão de identidade.
Qual o papel da integração de dados na segurança?
A integração de dados permite confrontar informações entre diferentes fontes, identificando inconsistências e padrões suspeitos que podem indicar tentativas de fraude, fortalecendo a tomada de decisão.
Como a digitalização impacta a eficiência operacional?
A digitalização reduz o tempo de processamento das operações, diminui retrabalho e amplia a capacidade das instituições financeiras de escalar suas operações mantendo elevados padrões de segurança.
Qual a importância da rastreabilidade nas operações?
A rastreabilidade permite a reconstrução da cadeia de eventos em caso de suspeita de fraude, facilitando auditorias e resposta a incidentes, além de fortalecer a segurança jurídica das operações.